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Clima

“O pior está por vir”: Após episódio de chuvas intensas, meteorologista prevê pior fase do El Niño

Segundo Piter Scheuer, fenômeno deve atingir o auge entre setembro e janeiro, aumentando o risco de enchentes e temporais.

Luan

Luan

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As fortes chuvas que voltaram a atingir o Rio Grande do Sul podem ser apenas o início de um período de eventos climáticos ainda mais intensos. O alerta é do meteorologista Piter Scheuer, que afirma que o fenômeno El Niño já influencia as condições do tempo no Sul do Brasil e deve alcançar seu pico entre o fim do inverno e o início do verão.

Em entrevista ao ND+, Scheuer explicou que a tendência é de aumento na frequência e na intensidade das chuvas nos próximos meses, principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, estados que tradicionalmente sofrem maior influência do fenômeno climático.

Segundo o meteorologista, os episódios de chuva extrema devem ocorrer em intervalos cada vez menores. “Essa chuva que aconteceu já é influência do El Niño, só que cada vez mais gradativamente isso começa a ficar mais frequente”, afirmou ao ND+.

De acordo com ele, a repetição de grandes volumes de chuva em curto espaço de tempo aumenta significativamente o risco de enchentes, enxurradas e alagamentos.

“Imagina ter 200 ou 300 milímetros em um único dia e, dois ou três dias depois, registrar novamente esse volume. Isso acaba provocando alagamentos e enxurradas em diversas regiões”, destacou.

Rio Grande do Sul enfrenta nova enchente

Conforme informações divulgadas pelo ND+, o Rio Grande do Sul enfrenta a maior enchente registrada no estado neste ano. As chuvas intensas que atingem o território gaúcho desde a última terça-feira (21) já provocaram alagamentos, elevação dos rios e deixaram mais de mil pessoas fora de casa.

Segundo a Defesa Civil gaúcha, 1.099 moradores foram afetados diretamente, sendo 728 desabrigados e 371 desalojados. Para Scheuer, esse episódio faz parte de uma sequência de eventos extremos associados ao fortalecimento do El Niño.

Ele lembra que, ainda entre maio e junho, diversas regiões do Norte e Noroeste gaúcho já haviam registrado acumulados entre 200 e 400 milímetros de chuva.

Auge do fenômeno será entre setembro e janeiro

A preocupação dos meteorologistas é que o cenário ainda tende a se intensificar.

Segundo Piter Scheuer, o período de maior atuação do El Niño está previsto para ocorrer entre setembro e janeiro, quando o fenômeno deverá atingir sua máxima intensidade.

“O pior ainda está por vir. Setembro para frente vai ser o auge do El Niño. Final desse inverno e durante a primavera teremos o pico desse super El Niño, que pode ser o mais intenso da história”, afirmou o meteorologista ao ND+.

Embora o comportamento da atmosfera dependa de diversos fatores, especialistas alertam que a influência do El Niño costuma favorecer chuvas acima da média na Região Sul, elevando o risco de enchentes, deslizamentos, temporais e outros eventos extremos, especialmente durante a primavera e o início do verão.

Diante desse cenário, órgãos de monitoramento recomendam que a população acompanhe regularmente os alertas meteorológicos e as orientações da Defesa Civil, principalmente em áreas sujeitas a alagamentos e movimentos de massa.


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