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Doação de órgãos no Hust mobiliza equipe que chegou de avião a Joaçaba; entenda como funciona o processo
Avião que trouxe a equipe de captação para Joaçaba. (Foto: Éder Luiz Notícias)
Joaçaba

Doação de órgãos no Hust mobiliza equipe que chegou de avião a Joaçaba; entenda como funciona o processo

Doação de órgãos no Hust, em Joaçaba, mobilizou equipe que veio de avião. Entenda o processo, do sim da família ao transplante.

Aviões na pista do aeroporto de Joaçaba.
Avião que trouxe a equipe de captação para Joaçaba. (Foto: Éder Luiz Notícias)

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Uma doação de órgãos mobilizou o Hospital Universitário Santa Terezinha (Hust), em Joaçaba, no domingo (27). A equipe de captação chegou de avião ao aeroporto da cidade, fez o procedimento no hospital e partiu em seguida com os órgãos, que serão destinados a pacientes na fila de transplantes. O hospital não divulgou detalhes sobre o doador, os órgãos captados ou o destino deles.

Por trás de uma captação como essa existe uma operação que pouca gente conhece. Médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, equipes de terapia intensiva, centrais de transplantes, cirurgiões e profissionais de logística trabalham de forma coordenada. Em alguns casos, são poucas horas entre a retirada do órgão e o transplante.

Recorde de doadores, mas quase metade das famílias ainda diz não

Em 2025, o Brasil registrou 4.321 doadores efetivos, o maior número da história, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). No mesmo ano, porém, foram 4.200 recusas familiares, o que equivale a 45% das entrevistas feitas com famílias de potenciais doadores.

Como tudo começa: a morte encefálica

O processo começa com a confirmação da morte encefálica. Segundo o Ministério da Saúde, ela corresponde à perda completa e irreversível das funções do encéfalo e caracteriza a morte da pessoa. Mesmo com o coração batendo e o corpo mantido por aparelhos, o paciente já faleceu. O diagnóstico segue um protocolo específico, com critérios clínicos e exames complementares.

A doação também pode partir de um doador vivo. “Temos dois tipos principais de doadores. No caso do doador vivo, é possível a doação de um rim ou uma parte de um órgão para o transplante, desde que sejam cumpridos todos os critérios. Já quando ocorre a morte encefálica e o paciente não tenha deixado autorização em vida, precisamos conversar com a família e obter a autorização para a doação”, explica Sérgio Arap, cirurgião de cabeça e pescoço e presidente da Comissão Intra-Hospitalar de Transplantes do Hospital Sírio-Libanês. A partir daí, segundo ele, “é fundamental manter o potencial doador em condições adequadas até a chegada da equipe de captação”.

O “sim” da família

A conversa com a família é uma das etapas mais delicadas. Primeiro, os profissionais explicam o diagnóstico e esclarecem as dúvidas. Só depois apresentam a possibilidade de doação. No Brasil, a autorização familiar é indispensável, mesmo que a pessoa tenha dito em vida que queria ser doadora.

“Quando a família recebe a notícia da morte, ela precisa primeiro entender e assimilar o que aconteceu. A possibilidade de doação só deve ser discutida depois. Nosso papel é oferecer informação, acolhimento e liberdade para que aquela decisão seja tomada sem pressão”, afirma a enfermeira Catherina Gameiro, do Sírio-Libanês.

Nem todo órgão pode ser aproveitado

O consentimento não garante que todos os órgãos serão usados. Exames, histórico clínico, condições dos órgãos e possíveis infecções são avaliados para proteger quem vai receber. Em 2025, além das recusas familiares, 2.957 potenciais doadores tiveram a doação impedida por contraindicação médica e 1.038 por parada cardíaca, segundo a ABTO.

Corrida contra o tempo

Depois da retirada, começa outra corrida. Sem circulação sanguínea, o órgão entra em isquemia, período em que deixa de receber sangue e oxigênio. Cada órgão tolera esse período por um tempo diferente. De acordo com o Ministério da Saúde, os limites de referência são:

  • Coração: cerca de 4 horas
  • Pulmão: de 4 a 6 horas
  • Fígado e pâncreas: até 12 horas
  • Rim: até 48 horas

Por isso a logística é decisiva, como no caso de Joaçaba, em que a equipe usou transporte aéreo. O deslocamento pode ser por terra ou pelo ar e leva em conta onde estão o doador e o receptor, a disponibilidade das equipes, o tempo de isquemia e as condições de viagem. Em 2025, a distribuição entre estados coordenada pelo sistema de transplantes permitiu 867 transplantes de rim, 375 de fígado, 100 de coração, 25 de pulmão e quatro de pâncreas.

Quem recebe o órgão?

“Nem a família, nem o hospital escolhem quem receberá o órgão. A distribuição é feita pelo Sistema Nacional de Transplantes, de acordo com critérios previamente estabelecidos, que incluem compatibilidade, gravidade, tempo de espera e características específicas de cada modalidade”, explica Catherina. Em 2025, o Brasil fez 6.697 transplantes de rim, 2.573 de fígado, 427 de coração, 96 de pulmão e 142 de pâncreas.

A despedida não muda

A decisão de doar não interfere nos rituais de despedida. A retirada dos órgãos é feita em centro cirúrgico, por equipes especializadas. Ao fim do procedimento, o corpo é recomposto e entregue à família, e o doador pode ser velado e sepultado normalmente.

“É importante que as pessoas entendam que a doação de órgãos começa muito antes do momento em que ela se torna necessária. Um único doador pode salvar até oito vidas. Por isso, conversar com a família e deixar clara a sua vontade faz toda a diferença”, afirma a enfermeira.

Foto de Éder Luiz

Éder Luiz

Éder Luiz é jornalista com mais de 30 anos de trajetória na comunicação, com passagens por rádio, TV, impresso e mídia digital — incluindo RBS TV/Globo e TV Record. É fundador do Portal Éder Luiz Notícias, referência em jornalismo hiperlocal no Meio-Oeste catarinense desde 2010. Graduado em Jornalismo pela Universidade Estácio de Sá.


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