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Brasil

Após mortes suspeitas, Anvisa reforça alerta sobre riscos ligados a canetas emagrecedoras

Agência monitora casos de pancreatite associados aos emagrecedores e reforça a necessidade de uso apenas com prescrição médica.

Luan

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Foto: Senado

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu investigação sobre seis mortes suspeitas de estarem relacionadas ao desenvolvimento de pancreatite em pessoas que utilizaram medicamentos injetáveis para controle de peso e diabetes, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”. Entre os produtos citados nas notificações estão marcas amplamente comercializadas, como Ozempic, Mounjaro e Saxenda, embora a agência alerte que, em alguns registros, pode haver envolvimento de versões falsificadas.

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Levantamento interno da Anvisa indica ainda mais de 200 relatos de alterações pancreáticas associados ao uso desses remédios no país. O tema ganhou repercussão internacional no início do mês, após autoridades do Reino Unido divulgarem um alerta semelhante envolvendo fármacos como Ozempic e Wegovy. Lá, segundo dados oficiais, 19 óbitos foram registrados em meio às investigações.

Nesta quarta-feira (9), em Brasília, a agência brasileira publicou um novo comunicado de farmacovigilância voltado aos medicamentos agonistas do receptor GLP-1, grupo que inclui substâncias como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida. A Anvisa explicou que, embora o risco de pancreatite já esteja descrito nas bulas aprovadas, houve crescimento no número de notificações tanto no Brasil quanto no exterior, o que motivou o reforço das orientações de segurança.

No documento, o órgão destaca que esses medicamentos só devem ser utilizados conforme as indicações autorizadas e sempre com prescrição e acompanhamento profissional. O monitoramento rigoroso, segundo a agência, ocorre devido à possibilidade de eventos adversos graves, entre eles quadros de pancreatite aguda que podem evoluir para formas necrosantes e fatais. Ainda assim, a Anvisa ressalta que, dentro das indicações corretas, a avaliação atual continua apontando que os benefícios superam os riscos.

Os números oficiais mostram que, entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de reações adversas no Brasil, além de seis casos com desfecho fatal sob investigação. Em junho de 2025, diante do aumento de ocorrências, a Anvisa determinou que farmácias passassem a reter a receita desses medicamentos, que agora deve ser emitida em duas vias e tem validade de até 90 dias, medida semelhante à adotada para antibióticos.

Para os usuários, a recomendação é buscar atendimento médico imediato caso surjam sintomas como dor abdominal intensa e contínua, que pode irradiar para as costas, acompanhada de náuseas e vômitos, sinais compatíveis com inflamação no pâncreas. Profissionais de saúde são orientados a suspender o tratamento diante de suspeita e não retomar o uso se o diagnóstico for confirmado. A agência também reforça a importância de registrar eventuais reações no sistema VigiMed, ferramenta usada para acompanhar a segurança de medicamentos e vacinas em circulação no país.


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