30 anos sem Mamonas Assassinas: O trágico acidente que silenciou a banda mais irreverente do Brasil
Em 2 de março de 1996, o jatinho que trazia o quinteto de Brasília chocou-se contra a Serra da Cantareira, em São Paulo.
Parece que foi ontem, mas já se passaram exatas três décadas. Nesta segunda-feira, 2 de março de 2026, o Brasil relembra os 30 anos da perda trágica e precoce da banda Mamonas Assassinas. O grupo, que uniu rock, humor e diversos ritmos de forma genial, foi vítima de um acidente aéreo que chocou o país no auge de um sucesso meteórico.
A Tragédia na Serra da Cantareira

Naquela noite de sábado, 2 de março de 1996, Dinho (vocal), Júlio Rasec (teclado), Bento Hinoto (guitarra), e os irmãos Samuel Reoli (baixo) e Sérgio Reoli (bateria) retornavam de um show realizado em Brasília (DF). O destino final era o Aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo, cidade natal dos músicos.
O piloto, que já somava 14 horas de voô, teve dificuldades para pousar no Aeroporto Internacional de Guarulhos e ao fazer uma arremetida na direção contrária, acabou fazendo a aeronave se chocar com a serra – a manobra de arremetida é uma prática convencional, que em padrão, determina que o avião vá para a esquerda para não se chocar com outras aeronaves, porém, em Guarulhos, devido ao relevo, os aviões devem ser direcionados para a direita. O que não foi observado pelo profissional, que seguiu a instrução convencional.
Ás 23h16, após alguns desentendimentos de informações entre o controle de voo regional e os pilotos no comando a aeronave, o avião colidiu com um dos morros em uma atitude de mais de mil metros. Ao perceber que não havia mais resposta da aeronave, um piloto do Varig 854 identificou uma nuvém densa e escura de fumaça na região. As equipes de resgate chegaram horas depois ao local do acidente, uma região de acesso dificil entre as montanhas. Ninguém foi encontrado com vida.
Investigação aponta exaustão do piloto como principal causa do acidente
Uma investigação instaurada pela Agência Nacional de Aviação Civil e pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáutico, estipulou que a principal causa do acidente foi a exaustão do piloto, que estava no ar com a banda desde o dia anterior. Entre outros motivos, também é apontada a baixa de visibilidade devido à noite e falta de iluminação aérea, perda de contato com a torre principal, falha na aeronave e a falta de experiência do copiloto, Alberto.
Um Fenômeno Incomparável

A trajetória dos Mamonas Assassinas foi curta, mas avassaladora. Com apenas um álbum de estúdio lançado em 1995, a banda vendeu quase 3 milhões de cópias em um espaço de poucos meses.
Com figurinos inusitados (como as famosas fantasias de Chapolin, presidiários e coelhinhos) e letras irreverentes, eles quebraram recordes de audiência na TV e de público nos shows. Hits como “Pelados em Santos”, “Robocop Gay”, “Vira-Vira” e “Boys Don’t Cry” dominavam as rádios e eram cantados por pessoas de todas as idades, desde crianças até idosos.
Legado que Atravessa Gerações
Mesmo 30 anos após a tragédia, a obra dos Mamonas Assassinas segue viva. Suas músicas ainda tocam em festas, são descobertas por novos fãs na internet e a história da banda continua rendendo homenagens, filmes e documentários. A alegria contagiante dos meninos de Guarulhos tornou-se imortal na cultura pop brasileira.
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