Luiz e Maria com o equipamento que garante mais qualidade de vida ao casal. (Fotos: Éder Luiz Notícias)
Depois de mais de uma década convivendo com o ronco alto, as paradas na respiração durante o sono e o cansaço que não passava nem depois de uma noite inteira na cama, Luiz Ari Lebkuchen, morador da região de Joaçaba, teve nesta terça-feira, 18 de agosto, um motivo concreto para comemorar: ele foi um dos 53 pacientes da Regional de Saúde do Meio Oeste contemplados com um aparelho de CPAP, entregue pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) na Gerência Regional de Saúde de Joaçaba (GERSA).
A ação integra a estratégia estadual de regionalização da assistência especializada, que busca ampliar o acesso a tratamentos de saúde e aproximar os serviços da população do interior catarinense. No caso dos distúrbios respiratórios do sono, o impacto vai muito além de uma noite mais silenciosa: é uma mudança real na saúde, na disposição e na qualidade de vida de quem convive, muitas vezes por anos, com a apneia do sono.
Luiz contou que o problema começou a incomodar de forma mais séria há cerca de 15 anos, mas a dificuldade para respirar bem durante o sono é antiga em sua vida. Ele já havia se submetido a uma cirurgia de septo há mais de 20 anos na tentativa de resolver a questão — mas o procedimento, sozinho, não foi suficiente.
“É o problema do ronco. Mas não é só o barulho, é o que ele traz: a pessoa não consegue respirar direito, dá aquela apneia do sono”, explicou o paciente, que por 5 anos passou por consultas, exames e por uma polissonografia até ser identificado como candidato ao uso do CPAP.
Para quem acompanha de fora e imagina que ronco é apenas um incômodo noturno, Luiz faz questão de esclarecer o que realmente está em jogo: a falta de oxigenação adequada durante o sono afeta diretamente o cérebro. “Isso te deixa o pensamento, o raciocínio, mais lento. É a falta de oxigênio. Você não descansa direito, e no outro dia é a pior parte, porque não conseguiu oxigenar bem”, relatou.
Se o paciente sente na pele o cansaço e a falta de oxigenação, é ao lado dele, durante a noite, que a apneia do sono revela toda a sua gravidade. A esposa de Luiz, Maria Aparecida Lebkuchen, descreveu a rotina de anos de vigilância enquanto ele dormia.
“Não é tanto perder o sono, é a preocupação que a gente tem, porque ele tem apneia e para de respirar. Aí a gente precisa acordar e fazer aquele movimento para ele voltar a respirar. Então nem quem está do lado fica tranquilo, porque a gente sabe que a respiração é tudo”, contou.
Para Maria Aparecida, o novo aparelho representa o início de uma fase diferente para o casal. “A qualidade de vida melhora, o dia a dia dele se torna mais calmo. A gente vê que quem não respira bem fica cansado, fica irritado. Então tem todos esses benefícios. A gente fica muito feliz, porque a partir de hoje a gente acredita que a vida dele vai mudar — ele vai poder respirar, fazer as atividades com mais leveza.”
Ainda sem ter usado o equipamento antes da entrega, o casal recebeu explicações detalhadas da equipe responsável. “Foi muito profissional, esclareceram cem por cento, não deixaram nenhuma dúvida”, avaliou Maria Aparecida, que também destacou a praticidade do aparelho no dia a dia. “É bastante detalhado, mas o cuidado, a limpeza, a manutenção, tudo é muito simples. Qualquer um vai conseguir usar sem dificuldade. E o benefício que traz vale a pena, e muito.”
A gerente regional de Saúde de Joaçaba, Nelci Trento Bortolini, explicou como pacientes como Luiz chegam até o CPAP oferecido pelo Estado. Segundo ela, o processo começa no município, após consulta médica e exames que identifiquem a necessidade do equipamento.
“A pessoa, após ter feito consulta e exame, e for identificada a necessidade do uso do CPAP, o município preenche uma solicitação e encaminha para o nível central do Estado. Agora os pacientes estão recebendo o equipamento”, detalhou.
Para Nelci, a entrega de 53 aparelhos reforça o compromisso da regionalização da saúde com quem mais precisa de cuidado contínuo. “O CPAP é um equipamento extremamente importante, porque melhora a qualidade do sono e a qualidade de vida das pessoas”, afirmou. Ela também fez um alerta importante para quem está começando o tratamento agora: a adaptação exige paciência. “Quem está iniciando o uso do CPAP precisa realmente persistir, se acostumar, se adequar, para que possa fazer o efeito esperado, que é melhorar o sono e melhorar a qualidade de vida da pessoa.”
Histórias como a de Luiz e Maria Aparecida mostram por trás dos números o real significado da ação: não se trata apenas de distribuir equipamentos, mas de devolver noites de sono tranquilas, disposição para o dia a dia e, principalmente, tranquilidade para famílias inteiras que dividem a preocupação com a saúde de quem amam. Com o CPAP, a expectativa é que pacientes do Meio Oeste catarinense passem a ter mais energia, mais equilíbrio emocional e mais qualidade de vida — uma verdadeira transformação que começa em uma boa noite de sono.
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