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Daniel Vorcaro - Foto: Banco Master
Brasil

Caso Master: mensagens ligam banqueiro a políticos e juízes

Diálogos do celular de Vorcaro revelam encontros privados, viagens de helicóptero e articulações sobre mudanças na legislação financeira

Éder Luiz

Éder Luiz

Daniel Vorcaro - Foto: Banco Master

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A Polícia Federal e a CPI mista do INSS analisam um conjunto de mensagens que expõe a proximidade de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com a elite dos Três Poderes em Brasília. Os diálogos, extraídos do celular do banqueiro, revelam encontros privados, viagens de helicóptero e articulações sobre mudanças na legislação financeira com nomes como o senador Ciro Nogueira, o ministro Alexandre de Moraes e o presidente Lula.

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O foco central das investigações recai sobre a relação de Vorcaro com o senador Ciro Nogueira (Progressistas). Em conversas com sua então namorada, a influenciadora Martha Graeff, o banqueiro classifica o parlamentar como um “grande amigo de vida”. A intimidade se traduziu em discussões sobre projetos de lei vitais para o Banco Master.

Em agosto, Vorcaro elogiou uma emenda apresentada por Ciro que aumentaria o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para R$ 1 milhão. A medida beneficiaria diretamente a estratégia do banco de atrair investidores com altos rendimentos. “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica no mercado financeiro”, comemorou o banqueiro nas mensagens.

Lobby no Congresso e voos privados

A rapidez com que as informações circulavam chamou a atenção das autoridades. Vorcaro comentou sobre a emenda com a namorada pouco mais de uma hora após o documento ser criado no sistema do Congresso. Embora a mudança na lei não tenha sido aprovada, o episódio demonstra o acesso privilegiado do empresário aos bastidores legislativos.

Além das conversas digitais, a relação incluía regalias. Registros mostram que Ciro Nogueira e Antonio Rueda, presidente do União Brasil, utilizaram o helicóptero de Vorcaro para ir ao Grande Prêmio de Fórmula 1 de São Paulo, em novembro de 2024. A aeronave transportou os políticos e outros convidados em voos separados.

Vorcaro também celebrava a ascensão de aliados, como a eleição do deputado Hugo Motta (Republicanos) para a presidência da Câmara. Em diálogo com o filho, confirmou que o novo presidente da Casa era “seu amigo” e que tudo havia “dado certo”.

Contatos com o STF e Planalto

As mensagens indicam ainda acessos ao Judiciário e ao Executivo. No dia de sua prisão, 17 de novembro, Vorcaro enviou uma mensagem direta ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), perguntando se havia “alguma novidade” ou possibilidade de bloqueio. O conteúdo das respostas, no entanto, foi apagado por ser de visualização única.

O banqueiro também relatou à namorada encontros com o presidente Lula no Palácio do Planalto e visitas à residência oficial do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Sobre a reunião com Lula, o Planalto confirmou a ocorrência, alegando ser uma agenda institucional intermediada pelo ex-ministro Guido Mantega, com a presença de outros ministros e do futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Já o ministro Alexandre de Moraes classificou o conteúdo da reportagem como “ilação mentirosa” e um ataque ao STF, negando ter recebido as mensagens citadas. A defesa de Ciro Nogueira afirmou que o senador dialoga com centenas de pessoas e nega condutas inadequadas.

Impacto no sistema financeiro

O escândalo do Banco Master preocupa o mercado devido ao rombo potencial no Fundo Garantidor de Crédito, estimado em mais de R$ 51 bilhões caso a instituição quebre. O FGC é o mecanismo que protege o dinheiro dos correntistas em caso de falência bancária e é custeado por todo o sistema financeiro.

A defesa de Daniel Vorcaro alega não ter tido acesso prévio aos elementos que motivaram a prisão preventiva e afirma que o empresário sempre colaborou com a Justiça. A assessoria de Martha Graeff lamentou o vazamento de conversas privadas e fora de contexto.

Até o momento, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, não se manifestaram sobre o teor das mensagens e os encontros citados na investigação.


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