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De Joaçaba para a Suécia: Jovem troca o maior laboratório do Brasil pelo topo da ciência europeia
Rafael foi recrutado para atuar em um dos maiores e mais modernos laboratórios de nêutrons da Europa.
A trajetória do joaçabense Rafael Lyra, de 26 anos, mostra que as distâncias entre o Meio-Oeste catarinense e a fronteira da ciência mundial podem ser superadas com dedicação. Em setembro, o jovem que cresceu no bairro Flor da Serra embarcou para a Suécia com um contrato permanente no European Spallation Source (ESS), um dos mais avançados aceleradores de nêutrons da Europa. Para assumir a nova posição, ele deixou o Sirius, em Campinas (SP), o maior e mais complexo laboratório científico do Brasil.
O despertar no Meio-Oeste e a persistência
A base de Rafael foi toda construída na região. Ele estudou no Pequeno Pensador, em Herval d’Oeste, concluiu o ensino médio no Marista, em Joaçaba, e passou pelos cursos de Engenharia de Computação na Unoesc e Engenharia de Controle e Automação no IFC de Luzerna.
Foi justamente nas salas de aula do IFC, entre 2018 e 2019, que uma professora de física plantou a semente: ela falava com entusiasmo sobre a construção do Sirius e o impacto daquele acelerador de partículas para o país. Aquele brilho nos olhos inspirou Rafael a buscar uma vaga no laboratório. Após enfrentar o silêncio nas primeiras tentativas de estágio, a persistência rendeu frutos, e ele se mudou para Campinas em fevereiro de 2022.
Facilitando a ciência no “microscópio gigante”
No Sirius — que funciona como um microscópio gigante capaz de enxergar a estrutura atômica dos materiais através da luz síncrotron —, Rafael encontrou seu propósito. Em vez de atuar na pesquisa final, ele trabalhou nos bastidores da tecnologia, desenvolvendo softwares para automatizar e facilitar os complexos experimentos científicos.
Na prática, o trabalho do joaçabense tirava o peso das costas dos pesquisadores. Ele programava desde os braços robóticos que manipulavam amostras até a configuração de detectores e o controle de temperatura. Toda essa engrenagem de precisão permite que o Sirius gere resultados vitais para a sociedade, ajudando a criar novos medicamentos, melhorar painéis solares e até fornecer análises de solo para a Polícia Federal rastrear garimpos ilegais.

O salto europeu e a troca de conhecimento
A excelência do trabalho no Brasil chamou a atenção de uma empresa de recrutamento sueca. Valorizando a resiliência e a capacidade de entrega dos brasileiros, eles convidaram Rafael para integrar o ESS.
Enquanto o Sirius utiliza elétrons para desvendar os segredos da matéria, o acelerador sueco utiliza nêutrons, técnicas que se complementam para revelar características diferentes dos materiais estudados. Na Suécia, Rafael integrará equipamentos avançados aos sistemas de controle, mas seu objetivo vai além da rotina do laboratório: ele quer dominar a tecnologia de aceleradores de nêutrons — inexistente no Brasil — e conectar o ecossistema científico sul-americano, ainda um pouco isolado, à forte comunidade europeia.
Um recado para os jovens do interior
Sair do interior catarinense para atuar nos maiores polos de pesquisa do planeta pode parecer uma realidade distante, mas Rafael garante que as portas estão abertas. Ele reconhece que o mercado de ciência no Brasil exige, muitas vezes, deixar o estado, mas ressalta o poder da iniciativa própria.
“O conselho é se esforçar e se envolver em projetos de inovação. Quando você faz projetos e vai atrás, as pessoas notam esse esforço e você sempre consegue avançar”, incentiva o engenheiro, deixando uma mensagem final de encorajamento para quem compartilha do mesmo sonho: “A vida tem muitos caminhos, e às vezes eles são difíceis, tortuosos. Mas seguindo em frente, sem desistir, a gente chega, mesmo que a passos lentos. Com planejamento e dedicação, a gente consegue chegar lá.”
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