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Operações Policiais
Denúncia de trabalho escravo revela esquema que usava moradores de rua para pedir doações em SC
Operação em Itajaí (SC) resgatou nove pessoas em situação degradante. Elas eram usadas para pedir doações que acabavam revendidas.
Uma grave denúncia de trabalho escravo e fraude revelou um esquema cruel na manhã desta sexta-feira (09), em Itajaí, no Litoral Norte catarinense. Pessoas em situação de vulnerabilidade e moradores de rua eram “contratados” sob falsas promessas para pedir doações em nome de uma Organização Não Governamental (ONG) de Camboriú. O material arrecadado, no entanto, não era destinado a projetos sociais, mas sim revendido em brechós e até comercializado no Paraguai.
A operação foi desencadeada a pedido do Ministério Público do Trabalho de Santa Catarina (MPT-SC). Agentes da Vigilância Sanitária de Itajaí, com apoio das polícias Civil e Militar, realizaram a fiscalização em um imóvel alugado no bairro São Vicente. No local, nove pessoas foram encontradas vivendo em condições degradantes e de insalubridade. A casa será demolida pela prefeitura na próxima semana devido à sua precariedade.
Falsas promessas e desvio de donativos
A denúncia original aponta que o esquema pode envolver cerca de 30 vítimas, atraídas de estados como São Paulo e Pará com a promessa de moradia, alimentação e salário. Contudo, os depoimentos colhidos no local indicam que eles não recebiam a remuneração prometida. Em casos isolados, relataram receber R$ 50 por cada saco de 50 quilos de doações arrecadadas, vivendo apenas com o alojamento precário e comida. Há suspeitas de que os demais explorados estejam distribuídos em outros imóveis pela cidade.
Durante a vistoria, as autoridades encontraram um “contrato” que autorizava as vítimas a pedirem roupas e alimentos em nome da ONG. Enquanto os doadores acreditavam estar ajudando famílias de baixa renda, os “chefes” do esquema faziam uma triagem do material para revenda visando o lucro.
As nove pessoas resgatadas foram encaminhadas ao Centro Pop de Itajaí, onde receberão abrigo até serem enviadas de volta aos seus estados de origem. A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar a identidade de todos os envolvidos e qual a real participação da ONG de Camboriú nas fraudes.
Fonte: NSC
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