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Foto: canva
Santa Catarina

Em SC, 71% dos feminicídios são cometidos por parceiros

Entre 2020 e 2024, 334 mulheres foram assassinadas em Santa Catarina vítimas de feminicídio, conforme o Ministério Público.

Éder Luiz

Éder Luiz

Foto: canva

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Entre 2020 e 2024, 334 mulheres foram assassinadas em Santa Catarina vítimas de feminicídio. Os dados constam no Mapa do Feminicídio, divulgado pelo Ministério Público estadual nesta segunda-feira (30), que revela uma realidade cruel: 71% desses crimes foram cometidos por companheiros ou ex-companheiros, motivados principalmente pela não aceitação do fim do relacionamento.

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O levantamento traça um padrão claro de vulnerabilidade e silêncio. A grande maioria das vítimas (73,2%) nunca teve acesso a medidas protetivas, apesar de 68,9% já sofrerem um histórico de violência que não chegou aos registros policiais ou serviços de saúde. O perfil principal é composto por brasileiras, mães (65%), com idades entre 12 e 49 anos, baixa escolaridade e renda familiar de até cinco salários mínimos. A dependência financeira se mostra um obstáculo para fugir das agressões, já que 71,5% dessas mulheres não tinham emprego formal.

A própria casa é o local mais perigoso para as vítimas. Em 76,4% das ocorrências, o crime acontece na residência da mulher, preferencialmente durante a noite e a madrugada, com picos nos finais de semana. Facas e outras armas brancas são utilizadas em quase metade dos assassinatos (47,7%), indicando o uso de ferramentas de fácil acesso durante a agressão.

O risco proporcional de morte é maior no interior do estado do que nos grandes centros urbanos e no litoral. O estudo mapeou duas regiões críticas de letalidade em Santa Catarina: no Oeste, abrangendo municípios entre Xanxerê e São Miguel do Oeste, e na faixa que se estende de Lages a Curitibanos.

A gravidade do cenário continua refletindo nos dados mais recentes da segurança pública. Após registrar 52 feminicídios ao longo de 2025, Santa Catarina contabilizou, apenas até meados de março de 2026, 42 tentativas de assassinato contra mulheres — o equivalente a um ataque a cada 40 horas, com maior concentração de casos nas cidades de Joinville e São Francisco do Sul, no Norte do estado.


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