Feminicídio: Morte por acidente de carro tem reviravolta no Oeste
Investigação descartou acidente de trânsito e apontou que vítima foi morta por asfixia antes de o carro ser lançado em um rio.
A investigação sobre a morte de Débora Ester de Biazi Dambros, de 24 anos, teve uma reviravolta nesta sexta-feira (31). O caso, que inicialmente era tratado como um acidente de trânsito na SC-283, em São Carlos, passou a ser investigado como feminicídio, após a Polícia Civil concluir que a jovem foi assassinada antes de o veículo ser lançado no Rio Barra Grande.
Segundo informações divulgadas pela Polícia, o marido da vítima, de 30 anos, e o pai dele, de 53 anos, foram presos preventivamente por suspeita de participação no crime.
A investigação que descobriu a reviravolta começou após o Fiat Doblò conduzido por Débora ser encontrado submerso no rio, no dia 21 de julho. Na ocasião, a principal hipótese era de que a jovem havia perdido o controle da direção e caído da ponte.
No entanto, conforme a Polícia Civil, o trabalho investigativo identificou inconsistências na versão apresentada. A partir da coleta de provas, os policiais concluíram que a morte ocorreu dentro da residência onde Débora morava com o companheiro, na presença dos dois filhos do casal, de 8 e 2 anos.
Durante o interrogatório, o marido confessou que matou a esposa utilizando um golpe conhecido como “mata-leão”, provocando a morte por asfixia. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirmou lesões compatíveis com sufocamento e descartou que o óbito tenha sido provocado pelo acidente ou por afogamento.
Ainda de acordo com as investigações, após o crime, o homem pediu ajuda ao pai para ocultar o corpo. Os dois colocaram o cadáver dentro do automóvel e levaram o veículo até uma ponte sobre o Rio Barra Grande, onde o lançaram na água para tentar criar a falsa impressão de um acidente.
Outro elemento que chamou a atenção dos investigadores foi a localização de uma carta na residência da família. Conforme a Polícia Civil, o documento mencionava um suposto acordo entre o casal envolvendo a morte dos filhos e um possível suicídio.
Durante o depoimento, o investigado também teria revelado que pretendia matar as duas crianças e, em seguida, tirar a própria vida. O plano, entretanto, não chegou a ser colocado em prática.
Com a decisão da Justiça, marido e sogro permanecem presos preventivamente. A Polícia Civil segue com as investigações, que apuram os crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual.
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