Fim da escala 6×1 avança e pode mudar rotina em SC
Saiba mais sobre a discussão da escala 6x1 e como a nova proposta de jornada de trabalho pode beneficiar os trabalhadores.
Trabalhadores catarinenses e de todo o Brasil podem ter a rotina alterada ainda este ano. O governo federal e o Congresso Nacional debatem atualmente a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, o que coloca fim à escala 6×1 — modelo que exige seis dias de serviço para apenas um de descanso. O objetivo da mudança é adotar o formato de cinco dias trabalhados para dois de folga, visando garantir mais qualidade de vida, saúde e tempo livre para a população.
A proposta é considerada prioritária para combater a sobrecarga física e mental da classe trabalhadora, com atenção especial às mulheres. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que as brasileiras dedicam, em média, quase o dobro do tempo dos homens aos afazeres domésticos e cuidados com a família. O governo defende que a folga dupla permitirá uma divisão mais justa das tarefas dentro de casa e reduzirá o adoecimento feminino causado por essa dupla jornada.
O projeto tem forte apelo popular
Pesquisas recentes indicam que 73% da população apoia o fim da escala 6×1, desde que os salários não sejam reduzidos. Além disso, uma petição pública sobre o tema já ultrapassou a marca de 3 milhões de assinaturas. Para quem vive a realidade do comércio, transporte ou serviços gerais, o modelo atual significa exaustão crônica, afastamento do convívio familiar e abandono dos estudos.
Apesar do apoio dos trabalhadores, a medida enfrenta forte resistência do setor produtivo, um fator de alerta para a forte economia industrial e varejista de Santa Catarina. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional do Comércio (CNC) estimam que a mudança gerará um custo adicional superior a R$ 380 bilhões anuais às empresas de todo o país. Os empresários argumentam que a imposição da nova jornada pode forçar o fechamento de vagas formais e encarecer o preço dos produtos em até 13%.
Em contrapartida aos alertas das entidades empresariais, estudos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) projetam um cenário otimista para a economia. Segundo os pesquisadores, a redução da jornada para 40 horas semanais tem potencial para criar 4,5 milhões de novos empregos e aumentar a produtividade geral no país, beneficiando mais de um terço dos trabalhadores.
O debate agora ganha velocidade em Brasília. O texto que altera a jornada já tramita nas comissões da Câmara dos Deputados, com expectativa de votação em plenário até maio. Caso o andamento atrase no Congresso, o Ministério do Trabalho sinalizou que o governo enviará um projeto de lei em caráter de urgência para garantir a rápida aprovação da nova regra.
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