Frio aumenta atendimentos por infarto e problemas respiratórios em Santa Catarina
Dados do SAMU mostram crescimento de 24% nos casos de infarto e de 40% nas ocorrências respiratórias entre janeiro e julho de 2026.
A queda nas temperaturas durante o inverno exige atenção redobrada com a saúde, especialmente entre pessoas que já apresentam fatores de risco para doenças cardiovasculares e respiratórias. Dados do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Santa Catarina mostram que os atendimentos relacionados a essas condições aumentaram de forma significativa ao longo de 2026.
Nos casos de infarto, o Estado registrou 333 atendimentos em janeiro e 413 em julho, o que representa crescimento de aproximadamente 24%. O comportamento também foi observado no ano passado: no mesmo período de 2025, os registros passaram de 286 para 319, uma alta de 11,5%.
A situação também chama atenção quando são considerados os problemas respiratórios. Em 2026, os atendimentos do SAMU relacionados a essas ocorrências subiram de 1.479 em janeiro para 2.072 em julho, crescimento de 40%. Em 2025, a elevação havia sido ainda maior, passando de 1.322 para 2.079 atendimentos, aumento de 57%.
Segundo a cardiologista e coordenadora médica da Unidade de Suporte Avançado (USA) na Macrorregião Meio-Oeste do SAMU, Dra. Amanda Souza de Andrade, o frio provoca alterações no funcionamento do organismo que podem aumentar a sobrecarga sobre o coração.
Com as baixas temperaturas, os vasos sanguíneos se contraem para ajudar a preservar o calor corporal. Como consequência, a pressão arterial pode aumentar e o coração passa a trabalhar com maior esforço. O período também pode favorecer uma maior ativação do sistema de coagulação, elevando os riscos de eventos como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), principalmente entre pessoas que já possuem predisposição.
As infecções respiratórias, que também se tornam mais frequentes durante o inverno, representam outro fator de preocupação. Processos inflamatórios provocados por essas doenças podem contribuir para o surgimento de complicações cardiovasculares.
Por isso, alguns grupos precisam ter atenção especial durante os períodos de frio intenso. Entre eles estão pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado, doença renal crônica, histórico de infarto ou AVC, fumantes e idosos.
A prevenção passa pelo acompanhamento regular das doenças crônicas e pela manutenção dos tratamentos prescritos. A orientação é não interromper medicamentos por conta própria, manter uma alimentação equilibrada e praticar atividades físicas de acordo com a orientação médica. Manter o corpo aquecido e manter a vacinação contra influenza e Covid-19 em dia também são medidas importantes.
Reconhecer os sinais pode salvar vidas
Além da prevenção, identificar rapidamente os sintomas de uma emergência é fundamental para aumentar as chances de atendimento adequado.
No caso do infarto, o sinal mais conhecido é a dor ou pressão no peito, que pode se espalhar para o braço, costas ou mandíbula. Porém, principalmente entre mulheres, idosos e pessoas com diabetes, os sintomas também podem aparecer de outras formas, como falta de ar, dor na região do estômago, suor frio e um forte mal-estar.
Já o AVC pode provocar fraqueza ou dormência em um dos lados do corpo, alteração na fala, boca torta, perda de visão, desequilíbrio ou uma dor de cabeça súbita e intensa.
Diante de qualquer um desses sinais, a orientação é acionar imediatamente o SAMU pelo telefone 192. Durante a ligação, é importante seguir as orientações repassadas pelo médico da Central de Regulação enquanto a equipe se desloca até o local.
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