Lenda viva do samba em Joaçaba: Com 12 títulos no Rio, Chopp acompanha ensaios da Unidos do Herval
Baluarte do Cacique de Ramos e ex-diretor da Imperatriz e Império Serrano, Chopp, aos 84 anos, retorna a Joaçaba.
A Unidos do Herval trouxe um reforço de peso — e de história — para o Carnaval 2026. Quem acompanhou os ensaios técnicos nesta semana na Avenida XV de Novembro presenciou a atuação de uma lenda viva do carnaval brasileiro: Sidney Machado, popularmente conhecido como “Chopp”.
Aos 84 anos, Chopp não é apenas um diretor de harmonia; ele é um pedaço da história do samba. Membro da “Diretoria de Ouro” e baluarte do Cacique de Ramos, ele conversou com exclusividade com o Éder Luiz Notícias e revelou os bastidores de sua chegada ao Meio-Oeste catarinense.
O Reencontro com a Herval

A vinda de Chopp não foi planejada com meses de antecedência, mas fruto de um encontro casual e do reconhecimento de um trabalho antigo. O diretor já possui uma história vitoriosa com a agremiação de Herval d’Oeste.
“Eu estava em Florianópolis, no centro, e o presidente [da Herval] virou pra mim e falou: ‘Você não é o Chopp?’. Eu disse que sou. Ele me fez o convite na hora”, contou o diretor.
Chopp relembrou com carinho sua primeira passagem pela escola, que resultou em título. “A Unidos do Herval foi a primeira escola de samba que eu fiz aqui. No primeiro ano foi mais ou menos, no segundo nós ganhamos, graças a Deus”, relembrou ele, que também ostenta o título de Cidadão Honorário de Florianópolis pelos serviços prestados ao carnaval catarinense.
12 Títulos e a Parceria com Rosa Magalhães
Para quem não conhece a dimensão de Sidney Machado, o currículo fala por si. Ele acumula 12 campeonatos no Rio de Janeiro, tendo passado por gigantes como Beija-Flor, Portela e Mangueira.
Dois momentos, porém, marcam sua carreira. Ele era o diretor de harmonia do Império Serrano em 1982, no lendário desfile do “Bumbum Paticumbum Prugurundum”, considerado por muitos o maior desfile de todos os tempos.
Posteriormente, formou uma dupla imbatível com a carnavalesca Rosa Magalhães na Imperatriz Leopoldinense. “Fiquei 12 anos na Imperatriz e ganhei 5, tudo com a Rosa”, destacou. A lealdade à carnavalesca é tamanha que Chopp confirmou que, logo após o trabalho em Joaçaba, voará para o Rio para desfilar no Salgueiro, em uma homenagem à amiga.
“Não gosto de aparecer, gosto de trabalho sério”
Apesar da idade e da longa viagem — ele chegou de Mato Grosso, passou por Florianópolis e enfrentou horas de estrada até Joaçaba —, Chopp não veio a passeio. Conhecido pelo rigor técnico, ele acompanhou o ensaio técnico da Herval com olhar clínico e já agendou reuniões para corrigir falhas antes do desfile oficial.
“Vou fazer uma reunião com todo mundo. Eu não gosto de aparecer, não gosto dessa porcariada. Eu chego para fazer um trabalho sério. Vou procurar melhorar algumas coisas que achei que não estavam boas”, disparou o diretor, demonstrando a mesma exigência que o consagrou na Sapucaí.
Ao lado de Sereno, do Fundo de Quintal, Chopp é um dos últimos remanescentes vivos da fundação do bloco Cacique de Ramos. Sua presença em Joaçaba eleva o nível técnico da disputa e coloca o Carnaval local em conexão direta com a raiz do samba carioca.
Para a torcida da Unidos do Herval, o recado do mestre foi otimista: “Esperem, porque essa escola vai vir muito bem na Avenida, se Deus quiser”.
Nos siga no
Google News