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Foto: Ricardo Wollfenbüttel/SECOM
Feminicídio

Mapa do Feminicídio em SC: Caçador tem a maior taxa de mortalidade de mulheres no Estado

Mapa do Feminicídio do MPSC revela que Caçador tem a maior taxa de mortes de mulheres em SC. Estudo detalha perfil de vítimas e...

Pedro Silva

Pedro Silva

Foto: Ricardo Wollfenbüttel/SECOM

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Um estudo inédito do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) deu um choque de realidade sobre a violência de gênero no estado. O Mapa do Feminicídio, que analisou 335 mortes ocorridas entre 2020 e 2024, revela um perfil cruel e invisível: a maioria das vítimas são mulheres pobres, mães, com baixa escolaridade e assassinadas dentro de casa por companheiros ou ex-companheiros. No Meio-Oeste, os dados são ainda mais alarmantes: Caçador ostenta a maior taxa de feminicídios de Santa Catarina, com 2,75 mortes para cada 100 mil mulheres — índice que supera o dobro da média nacional.

A história de Dioneide dos Santos, moradora de Caçador morta em 2021, ilustra as estatísticas. Branca, 44 anos, mãe de cinco filhos e sem o ensino fundamental completo, ela foi assassinada pelo ex-marido após se recusar a reatar o casamento. O perfil traçado pelo MPSC mostra que 77,9% das vítimas são brancas, 84,4% possuem baixa renda e 56,9% não finalizaram a educação básica. Além disso, a maternidade é um ponto central da tragédia: 65,6% eram mães e quase metade (45,9%) tinha filhos em comum com o agressor.

O Perfil do Agressor e a Interiorização da Violência

O infográfico sobre os autores revela que o “monstro” muitas vezes divide a mesma mesa que a vítima. Em 40,8% dos casos, o assassino era o companheiro ou cônjuge, e em 23,1% era o ex. O perfil do agressor é majoritariamente de homens brancos (61,8%), entre 25 e 44 anos (64,4%), também de baixa renda (83,7%) e com baixa escolaridade. Um dado que salta aos olhos é que 72,6% dos autores já possuíam antecedentes policiais, sendo que 44,5% deles já tinham registros anteriores de violência doméstica contra mulheres.

A promotora de Justiça Chimelly Louise de Resenes Marcon destaca o fenômeno da interiorização. Enquanto Florianópolis tem a menor taxa do estado (1,01), as cidades do interior lideram o ranking de letalidade.

Taxa de feminicídio por região (por 100 mil mulheres):

  • Caçador: 2,75
  • Lages: 2,56
  • Chapecó: 2,55
  • Criciúma: 1,70
  • Joinville: 1,55
  • Blumenau: 1,52
  • Florianópolis: 1,01

Violência Silenciosa e Falta de Apoio

O estudo aponta que 68,9% das vítimas já haviam sofrido violência antes do crime fatal, mas muitas não chegaram a formalizar denúncias. Além disso, 13,4% dos autores cometem suicídio logo após o crime, o que dificulta a responsabilização penal em muitos casos. Para a promotora Chimelly, os números mostram que as estratégias atuais de segurança urbana não são suficientes para frear o feminicídio, que acontece entre quatro paredes.

Metas e Futuro

Diante do cenário, um pacto de cooperação foi assinado entre os poderes em SC. Entre as metas estão a criação de mais casas abrigo, a garantia de aluguel social para vítimas e o aumento dos Núcleos de Enfrentamento a Violências (Neavits). O governo estadual também planeja levar a temática para a grade curricular das escolas, com a meta de atingir 100% das unidades até 2035, buscando mudar a cultura da violência desde a base.

Fonte: MPSC e NSC


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