Números históricos colocam o Carnaval de Joaçaba entre os grandes eventos do verão catarinense
Pesquisa inédita do Sebrae/SC sobre o Carnaval de Joaçaba revela aprovação de 97% do público e impacto econômico de R$ 23,49 milhões.
Joaçaba recebeu, no Carnaval de 2026, muito mais do que foliões. Recebeu dados. E os números que emergem de uma pesquisa inédita realizada pelo Sebrae/SC, por meio do Observatório de Negócios, são suficientes para consolidar o evento entre os grandes atrativos do verão catarinense: o Carnaval de Joaçaba movimentou cerca de R$ 23,49 milhões em impacto econômico direto, reuniu um público estimado de 30 mil participantes e alcançou 97% de aprovação entre os turistas entrevistados.
O estudo foi realizado em duas etapas. Na primeira, entre os dias 15 e 17 de fevereiro de 2026, foram ouvidos 408 turistas presentes no evento — amostra dimensionada sobre um universo de 15 mil visitantes, com margem de erro de 4,8 pontos percentuais e coeficiente de confiança de 95%. Na segunda etapa, entre os dias 23 e 25 de fevereiro, 165 empresários dos setores de hospedagem, alimentação e comércio foram entrevistados para medir o impacto nos pequenos negócios. O resultado é um retrato abrangente, com luzes e sombras, de um evento que divide opiniões — mas que os dados insistem em legitimar.
Um público qualificado, fiel e regional
O perfil dos visitantes revela um dado que surpreende pela consistência: o Carnaval de Joaçaba não é um evento de passagem. É um destino. Entre os entrevistados, 86% já haviam visitado a cidade anteriormente, com mediana de dez visitas prévias. Não é um público que chegou por acaso — é um público que voltou por convicção.
A fidelização se reflete também na intenção futura: mais de 96% dos entrevistados declararam que pretendem retornar ao Carnaval de Joaçaba. Entre os que assistiram ao desfile das escolas de samba, esse índice ultrapassa 97%.
Do ponto de vista geográfico, a pesquisa confirma o caráter regional do evento. Cerca de 76% dos visitantes são de Santa Catarina, com destaque para municípios do Oeste e Meio-Oeste catarinense — Campos Novos, Videira, Chapecó, Capinzal, Catanduvas e Concórdia figuram entre as principais origens. Paraná e Rio Grande do Sul completam o perfil, com presença de visitantes de outros estados e até de outros países, como Argentina, Cuba, Equador, Estados Unidos e Venezuela.
O público é predominantemente masculino, com faixa etária concentrada entre 31 e 50 anos — que representa metade dos entrevistados —, altamente escolarizado, com mais de 70% tendo cursado ensino superior ou pós-graduação, e pertencente às classes A e B, que somam mais da metade dos visitantes. Um perfil com elevado potencial de consumo, que a pesquisa confirma na prática.
A economia começa antes da folia
Um dado que frequentemente escapa ao debate público merece destaque: o impacto econômico do Carnaval de Joaçaba não começa no dia do desfile. Ele começa meses antes, com a produção do evento. Só os investimentos diretos na organização e montagem do Carnaval — fantasias, alegorias, estruturas, contratações e logística — movimentaram cerca de R$ 5 milhões ainda na fase de preparação. Esse montante circula na economia local e regional antes mesmo da primeira escola de samba entrar na avenida, aquecendo fornecedores, costureiros, artesãos, empresas de montagem e toda a cadeia produtiva ligada à economia criativa do Carnaval. Ou seja: o evento é um motor que trabalha o ano inteiro — e não apenas durante os três dias de folia.
Folião que fica e consome: o impacto direto na economia local
O gasto médio diário dos turistas no Carnaval de Joaçaba foi de R$ 435,50, com permanência média de 3,6 noites no município. Considerando um público estimado de 30 mil participantes, com metade composta por turistas, o impacto econômico direto gerado pelos visitantes chegou a aproximadamente R$ 23,49 milhões — valor que circulou por hotéis, restaurantes, comércio e serviços da cidade e da região.
A alimentação foi o item de consumo mais universalizado: mais de 90% dos turistas realizaram gastos em bares e restaurantes durante o evento. Compras e souvenirs também movimentaram parcela relevante dos visitantes. Transporte e lazer completam o perfil de consumo — e o conjunto desses gastos, multiplicado pelo número de foliões e pelos dias de permanência, forma o substrato econômico que sustenta o argumento de que o Carnaval é, de fato, um dos grandes eventos do verão catarinense.
Quase metade dos visitantes pernoitou ao menos uma noite em Joaçaba. Entre os meios de hospedagem pagos, hotéis e pousadas foram a principal escolha. Um dado relevante no comportamento dos turistas: mais de 70% fizeram a reserva diretamente com o proprietário ou estabelecimento, sem intermediários — reflexo do perfil regional do público, que já conhece a cidade e mantém vínculos de longa data com seus serviços.
Evento nota 10: aprovação histórica nas escolas de samba e nos blocos
A avaliação do Carnaval em si é, talvez, o dado mais revelador da pesquisa. O desfile das escolas de samba recebeu aprovação de quase 99% dos entrevistados, com mais de 74% classificando o espetáculo como ótimo. O carnaval de blocos obteve aprovação de 90%. A avaliação geral do evento chegou a 97%.
Esses números não surgem do acaso. A pesquisa aponta que o desempenho positivo pode ser atribuído à qualificação progressiva do evento, incluindo a estratégia de realizar o desfile em dois dias, além de investimentos na organização e na valorização das escolas de samba — fatores que, somados à forte tradição carnavalesca local, elevam a percepção de qualidade do público.
Para mais de 67% dos entrevistados, o Carnaval foi o único motivo da viagem. Entre os que realizaram outras atividades, o turismo religioso foi o mais citado, seguido do turismo rural e de visitas a vinícolas. O dado reforça o protagonismo do evento como produto turístico central de Joaçaba, mas que também se expande pela região.
A cidade que surpreende: hospitalidade acima de tudo
Além do evento em si, a infraestrutura urbana e os serviços turísticos de Joaçaba foram avaliados com elevado nível de satisfação. A hospitalidade liderou o ranking de aprovação, com 97% de avaliação positiva — um indicador que vai além da estrutura física e toca a identidade cultural da cidade. Hospedagem, alimentação em bares e restaurantes, e compras e passeios completam o topo da lista, todos com aprovação acima de 90%.
Segurança, sinalização turística e centro de informações turísticas foram avaliados positivamente por 85% dos visitantes. Lazer na cidade e atrativos naturais também obtiveram índices elevados de satisfação.
Os itens com avaliação mais moderada — trânsito e limpeza pública, ambos com 60% de aprovação — apontam um desafio concreto: a gestão do espaço urbano durante o evento ainda exige atenção. Cerca de 30% dos visitantes avaliaram as condições das estradas de acesso como regulares ou negativas, um ponto sensível considerando que a maioria dos turistas chega de carro próprio.
O outro lado do balcão: o que dizem os empresários
Enquanto os turistas aplaudem, os empresários locais oferecem um diagnóstico mais complexo — e igualmente valioso. A pesquisa com 165 empreendedores revelou percepções distintas sobre o impacto do Carnaval nos negócios.
Entre os bares e restaurantes, mais de 76% notaram algum impacto do evento. No comércio em geral, esse índice superou 82%. Já nos serviços de hospedagem, menos da metade percebeu impacto direto — o que pode estar relacionado ao fato de que parcela significativa dos turistas se hospeda em residências de conhecidos, reduzindo a pressão sobre a rede hoteleira formal.
O impacto percebido, porém, não foi unanimemente positivo. No setor de bares e restaurantes, os resultados se dividiram de forma bastante equilibrada entre percepções positivas e negativas. No comércio, a maioria relatou impacto negativo. Nos serviços de hospedagem, a percepção predominante foi de indiferença, com cerca de um terço avaliando o efeito como positivo.
Para os que viram benefícios, os principais ganhos foram aumento nas vendas, crescimento no fluxo de clientes e estímulo ao turismo local. O setor de hospedagem destacou ainda o fortalecimento da imagem turística de Joaçaba como um benefício de médio e longo prazo.
O nó do trânsito: o principal ponto de tensão
O maior ponto de atrito entre o Carnaval e o comércio local tem nome: mobilidade urbana. Para os empresários que relataram impacto negativo, o fechamento de ruas e a dificuldade de circulação foram a principal reclamação, seguidos da falta de estacionamento, da queda nas vendas ou no movimento, e dos obstáculos causados pelas arquibancadas no acesso aos estabelecimentos.
Quando questionados sobre desafios gerais durante o evento, metade dos empresários apontou o fechamento de ruas e o aumento do trânsito como principal dificuldade. Dificuldades de estacionamento foram citadas por mais de um terço. Outros precisaram ajustar os horários de funcionamento.
As sugestões dos empreendedores apontam para caminhos possíveis: revisão da localização do evento — com propostas de criação de um sambódromo ou espaço específico fora do centro —, melhor planejamento logístico da montagem das estruturas, comunicação prévia sobre bloqueios de vias, e maior integração do comércio com a programação do Carnaval, por meio de eventos paralelos que ampliem os benefícios para negócios situados fora da área central do evento.
O próximo passo: transformar o Carnaval em produto turístico o ano inteiro
Os dados da pesquisa não são apenas um retrato do passado — são também a justificativa para o futuro. É exatamente com base nesse diagnóstico que o Sebrae/SC e a Prefeitura de Joaçaba vêm construindo, de forma estruturada, uma estratégia para ampliar o alcance e o impacto do Carnaval muito além dos dias de festa.
O objetivo central é expandir o público de fora da região. A pesquisa mostra que o evento já é consolidado entre os visitantes do Sul do Brasil — mas o potencial de crescimento está justamente na atração de turistas de outros estados e regiões do país, que ainda conhecem pouco o Carnaval de Joaçaba. Ampliar esse alcance significa aumentar o número de pernoites, elevar o gasto médio por visitante e distribuir o impacto econômico de forma mais ampla pela cidade.
Para isso, as ações já em curso incluem a participação de Joaçaba em feiras de turismo, a realização de famtours para levar jornalistas e operadores turísticos ao evento, a estruturação de produtos turísticos vinculados ao Carnaval que possam ser comercializados ao longo do ano, e uma visita técnica ao Rio de Janeiro para buscar referências nas melhores práticas de gestão de carnaval do país. Neste ciclo, as escolas de samba receberão consultoria especializada para fortalecer suas associações — reconhecendo que as escolas são o coração do evento e que o fortalecimento institucional delas é condição para a qualificação contínua do espetáculo.
Para a gerente regional do Sebrae/SC Meio-Oeste, Gelsi Daros, a pesquisa confirma o acerto da estratégia adotada pela instituição e aponta o caminho para os próximos passos. “Os dados mostram que o Carnaval de Joaçaba já é um produto turístico consolidado, com um público extremamente fiel e satisfeito. Mas o que nos motiva ainda mais é o potencial que ainda está por ser explorado. Nossa atuação junto à Prefeitura tem um propósito claro: ampliar o alcance do evento, atrair visitantes de outras regiões do Brasil e transformar a cadeia criativa que o Carnaval movimenta em fonte de renda o ano inteiro. Isso passa por qualificar as escolas de samba, estruturar produtos turísticos, levar Joaçaba às feiras nacionais e profissionalizar toda a experiência do visitante. O Carnaval já provou que tem grandeza. Agora, é hora de mostrar isso para o Brasil.”
A lógica que orienta essa parceria é a da economia criativa como motor de geração de renda. O Carnaval não é apenas um evento — é uma cadeia produtiva que movimenta figurinistas, músicos, artesãos, produtores, fornecedores e toda uma rede de serviços que pode — e deve — funcionar o ano inteiro. Estruturar essa cadeia, profissionalizar suas partes e conectá-la ao mercado turístico é o trabalho que está sendo feito, com resultados que a própria pesquisa já começa a revelar.
O prefeito de Joaçaba, Vilson Sartori, celebra os resultados e reforça o compromisso com a continuidade dos investimentos. “O Carnaval de Joaçaba é muito mais do que uma grande festa: é um patrimônio cultural que movimenta nossa economia, fortalece o turismo e gera oportunidades para centenas de famílias. Os números apresentados pelo Sebrae/SC comprovam aquilo que nossa população já sente há muitos anos: Joaçaba possui um dos maiores e mais qualificados carnavais do Brasil. Ficamos felizes em ver o evento alcançando 97% de aprovação e movimentando milhões na economia, mas, acima de tudo, seguimos comprometidos em continuar investindo na organização, na valorização das escolas de samba e na qualificação do turismo, para que o Carnaval cresça cada vez mais e beneficie toda a nossa cidade.”
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