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Operação Crédito Oculto: Receita Federal e Gaeco revelam engenharia financeira de R$ 11,6 bilhões na compra de distribuidora de combustíveis
Operações Policiais

Operação Crédito Oculto: Receita Federal e Gaeco revelam engenharia financeira de R$ 11,6 bilhões na compra de distribuidora de combustíveis

Investigação aponta blindagem patrimonial de R$ 11,6 bilhões no mercado financeiro de 7 estados, incluindo SC.

agentes da gaeco e polícia federal juntos

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A Receita Federal, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Secretaria da Fazenda e a Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, em conjunto com as polícias Civil e Militar, deflagraram nesta quinta-feira (24) a Operação Crédito Oculto. Desdobramento direto da Operação Carbono Oculto, a ação contou com o apoio estratégico dos Gaecos de Santa Catarina, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Ao todo, as forças de segurança cumprem mandados de busca e apreensão em endereços ligados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas distribuídas por sete estados. Em São Paulo estão concentrados 26 alvos, enquanto Santa Catarina, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e Espírito Santo registram um mandado cada.

Engenharia complexa para ocultar reais donos de usina e distribuidora

O objetivo principal da megaoperação é desmantelar uma sofisticada estrutura de lavagem de capitais montada por operadores do mercado financeiro a serviço do crime organizado. A organização operava em duas etapas principais para ocultar o patrimônio e a origem ilícita dos valores:

  1. Blindagem de Usina Sucroalcooleira: Inicialmente, fundos de investimentos, fintechs e contas gráficas “bolsões” foram estruturados para dissimular os reais proprietários de uma grande usina no interior paulista, movimentando cerca de R$ 370 milhões em direitos creditórios simulados.
  2. Aquisição de Distribuidora de Combustíveis: A usina ocultada foi instrumentalizada para a compra de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país. Na operação, R$ 100 milhões em recursos ilícitos trafegaram em questão de minutos por múltiplas contas de passagem até aportarem em um fundo exclusivo, viabilizando a transação através de Certificados de Depósito Bancário vinculados (CDBV) e empresas de fachada.

Além disso, o grupo transferiu imóveis de altíssimo valor para fundos imobiliários e holdings patrimoniais, criando camadas de proteção jurídica para impedir a identificação e o bloqueio de bens pela Justiça.

Movimentação bilionária sob investigação

As análises fiscais e econômico-financeiras revelam que a empresa financeira envolvida nas operações simuladas de aquisição da usina movimentou a impressionante cifra de R$ 11,6 bilhões entre os anos de 2021 e 2025.

A investigação comprova a convergência entre organizações criminosas atuantes no setor de combustíveis e prestadores de serviços de engenharia financeira e bancária, estruturados especificamente para lavar dinheiro e ocultar patrimônios bilionários.


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