Menu
Foto: José Cruz/Agência Brasil
Brasil

Quatro viram réus por campanha de ódio a Maria da Penha

Ex-marido de Maria da Penha está entre os denunciados pelas perseguições

Éder Luiz

Éder Luiz

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Compartilhe:

A Justiça do Ceará tornou réus, nesta segunda-feira (9), quatro homens acusados de promover uma campanha coordenada de ódio e desinformação contra a ativista Maria da Penha. O grupo, que inclui o ex-marido da farmacêutica, responderá criminalmente por tentar descredibilizar a principal lei brasileira de combate à violência doméstica e atacar a honra da vítima por meio de perseguições e documentos forjados.

Os denunciados são o ex-marido da ativista, Marco Antônio Heredia Viveiros; o influenciador digital Alexandre Gonçalves de Paiva; e os produtores audiovisuais Marcus Vinícius Mantovanelli e Henrique Barros Lesina Zingano. Segundo as investigações, eles utilizavam sites e grupos de mensagens para lucrar com a disseminação de mentiras e conteúdos preconceituosos contra mulheres.

A principal tática do grupo foi a produção de um documentário baseado em um exame de corpo de delito adulterado. O laudo falso inseria ferimentos no pescoço e braço do ex-marido para corroborar a antiga tese da defesa de que o casal teria sido alvo de assaltantes. Além da difusão do material falso, o influenciador Alexandre Paiva chegou a ir até a antiga casa de Maria da Penha para gravar vídeos, ultrapassando os limites da internet e gerando risco físico à vítima.

Pelos crimes, o ex-marido responderá por falsificação de documento público. O influenciador foi denunciado por perseguição física e virtual. Já os dois produtores respondem por uso de documento falso. O caso será julgado pela 9ª Vara Criminal de Fortaleza, ainda sem data definida. A defesa do ex-marido não foi localizada para comentar a decisão.

A quebra de sigilo bancário revelou que a campanha gerava lucros aos envolvidos por meio de publicidade em plataformas de tecnologia. O avanço das investigações, que já apreenderam equipamentos e tiraram o documentário do ar, fez com que a Justiça proibisse a aproximação dos acusados e incluísse Maria da Penha em um programa estadual de proteção de direitos humanos.

Símbolo nacional de resistência, a ativista ficou paraplégica em 1983 após o então marido atirar em suas costas enquanto ela dormia. Meses depois, após retornar do hospital, foi mantida em cárcere privado e sofreu uma tentativa de eletrocussão durante o banho, crimes que motivaram a criação da Lei Maria da Penha.


Compartilhe: