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© Fernando Frazão/Agência Brasil
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Redução anunciada pela Petrobras não chega às bombas em SC e gasolina tem alta em cidades; entenda

Especialistas apontam aumento do ICMS como principal fator para falta de repasse ao consumidor

Luan

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Apesar do anúncio de redução de 5,2% no preço da gasolina feito pela Petrobras em janeiro, os motoristas de Santa Catarina ainda não sentiram alívio no bolso. Conforme levantamento divulgado pelo NSC Total, o desconto aplicado nas refinarias não foi integralmente repassado aos consumidores e, em algumas cidades, houve até aumento no valor cobrado nos postos.

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A diminuição anunciada pela estatal passou a valer em 27 de janeiro de 2026 e atinge apenas a etapa de venda do combustível das refinarias para as distribuidoras. A expectativa era de que a redução refletisse nas bombas, mas isso não ocorreu de forma generalizada no Estado.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), citados pelo NSC Total, mostram que Joinville, maior município catarinense, registrou aumento de R$ 0,16 no preço médio da gasolina comum entre o levantamento realizado de 28 de dezembro de 2025 a 3 de janeiro de 2026 e a pesquisa mais recente, feita entre 15 e 21 de fevereiro de 2026, quase um mês após a redução da Petrobras entrar em vigor.

Em Itajaí, no Litoral Norte, o preço da gasolina comum subiu R$ 0,11 no mesmo período, enquanto a versão aditivada teve acréscimo de R$ 0,13. Por outro lado, apenas duas cidades apresentaram leve queda no preço: Mafra, no Planalto Norte, onde a redução foi de R$ 0,13, e São José, na Grande Florianópolis.

Aumento do ICMS impacta valor final

De acordo com o presidente do Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro PR/SC), Alexandro Guilherme Jorge, ouvido pelo NSC Total, o principal motivo para a ausência de queda nos postos é o reajuste do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

O imposto estadual, que é cobrado por meio de um valor fixo por litro, passou de R$ 1,47 para R$ 1,57 no início de 2026. Desde 2022, o ICMS da gasolina tem alíquota fixa nacional e vem sendo reajustado em R$ 0,10 por ano, decisão definida pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz).

Segundo Jorge, o aumento do tributo acabou neutralizando parte do desconto anunciado pela Petrobras. Enquanto houve redução no preço da refinaria, a elevação do imposto impactou diretamente o valor final pago pelo consumidor.

Outro fator apontado pelo presidente do Sindipetro PR/SC é a composição da gasolina vendida nos postos, que contém 30% de etanol anidro. Conforme destacou ao NSC Total, a redução no preço da gasolina poderia gerar efeito indireto também no etanol, já que as usinas acompanham as oscilações do combustível fóssil.

Ainda assim, a combinação entre reajuste tributário e dinâmica de mercado fez com que o desconto anunciado não se refletisse de forma clara nas bombas catarinenses.


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