Retorno do El Niño deve agravar crise climática neste ano
Temperaturas globais podem subir ainda mais e intensificar eventos extremos nos próximos meses, aponta relatório internacional.
Um novo relatório internacional reforça o alerta da comunidade científica: o clima da Terra vive um momento de forte desequilíbrio, com impactos cada vez mais evidentes em todo o planeta. Segundo o estudo, o período entre 2015 e 2025 foi o mais quente já registrado na história das medições.
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Embora 2025 não tenha superado o recorde de 2024, isso se deve à atuação do fenômeno La Niña, que provoca o resfriamento das águas do Oceano Pacífico e tende a amenizar temporariamente as temperaturas globais. Ainda assim, o ano passado figura entre os mais quentes dos últimos 176 anos.
A preocupação agora se volta para 2026. Dados de órgãos internacionais indicam a possibilidade de formação do fenômeno El Niño no segundo semestre. Esse aquecimento das águas do Pacífico costuma elevar ainda mais as temperaturas globais e pode levar o planeta a novos recordes de calor. Há, inclusive, a possibilidade de que o fenômeno atinja forte intensidade entre outubro e dezembro, embora ainda haja incertezas.
O relatório também chama atenção para os impactos nos oceanos, considerados fundamentais na regulação do clima por absorverem grandes quantidades de dióxido de carbono. Como consequência, o gelo marinho no Ártico tem registrado níveis mínimos históricos, enquanto a Antártida apresentou uma das menores extensões já medidas. O derretimento de geleiras segue em ritmo acelerado.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, classificou a situação como crítica. Segundo ele, “o estado do clima global é de emergência”, com todos os principais indicadores em níveis de alerta máximo.
Um dos fatores que explicam esse cenário é o chamado desequilíbrio energético da Terra, que mede a diferença entre a energia que o planeta recebe do Sol e a que devolve ao espaço. O aumento das concentrações de gases de efeito estufa — como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso — atingiu os maiores níveis em pelo menos 800 mil anos, intensificando a retenção de calor na atmosfera. Esse desequilíbrio vem crescendo desde a década de 1960 e alcançou um novo pico em 2025.
Os reflexos já são sentidos em diversas regiões do mundo, incluindo o Sul do Brasil. Em Santa Catarina, por exemplo, o aumento das temperaturas tem contribuído para a ocorrência mais frequente de eventos extremos, como ondas de calor, chuvas intensas e a formação de ciclones.
O comportamento dos fenômenos climáticos também ajuda a explicar essas mudanças. Durante o El Niño, o aquecimento das águas do Pacífico aumenta a evaporação e a formação de nuvens, alterando a circulação dos ventos e favorecendo chuvas mais persistentes na região Sul do Brasil. Já a La Niña provoca o efeito oposto, com redução das chuvas.
Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância do monitoramento constante das condições climáticas e alertam para a necessidade de adaptação frente a um planeta cada vez mais quente e sujeito a extremos.
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