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Santa Catarina

Alerta em SC: saiba como identificar uma relação abusiva

Com recorde de feminicídios no Brasil, veja como identificar os sinais de um relacionamento abusivo e saiba como pedir ajuda em SC.

Éder Luiz

Éder Luiz

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Com o Brasil registrando o número recorde de quatro mortes de mulheres por dia, a identificação precoce de um relacionamento abusivo tornou-se uma questão de sobrevivência também em Santa Catarina. Para ajudar as vítimas a reconhecerem os sinais antes que a violência se agrave, especialistas recomendam o uso de questionários e cartilhas de alerta que mapeiam comportamentos perigosos dos parceiros. A iniciativa visa quebrar um ciclo de abusos que muitas vezes é invisível para quem está envolvido emocionalmente.

Uma das ferramentas disponíveis é um teste de 17 perguntas formulado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT), mas que serve de alerta para mulheres de todo o país. A orientação médica e jurídica é clara: se a mulher se identificar com uma ou mais situações de controle, humilhação ou medo, é necessário prestar atenção redobrada às atitudes do companheiro e buscar apoio.

A urgência em notar esses primeiros sinais reflete os dados alarmantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública. No último levantamento, o país contabilizou 1.470 casos de feminicídio em um ano, o maior número da série histórica nacional. Esse cenário trágico costuma ser apenas o ponto final de um longo histórico de agressões que começaram de forma sutil e silenciosa.

As faces da violência e o seu ciclo

Muitas vezes, a vítima não denuncia porque acredita que apenas agressões físicas, como socos e empurrões, configuram crime. No entanto, a Lei Maria da Penha prevê outras quatro formas de violência que dão direito a medidas protetivas: a psicológica (ameaças, isolamento e controle absoluto), a sexual (forçar atos íntimos ou gravidez), a patrimonial (destruir ou reter bens, dinheiro e documentos) e a moral (calúnias, difamação e xingamentos).

Entender a amplitude desses abusos ajuda a explicar por que é tão difícil romper com o agressor. A violência costuma operar em um ciclo de três fases, que sempre se inicia com o acúmulo de tensão. Nesse primeiro momento, ocorrem brigas menores, xingamentos e quebra de objetos, e a mulher frequentemente acredita que consegue acalmar o parceiro e manter tudo sob controle.

Quando a tensão atinge o limite, ocorre a fase da explosão, marcada pelas agressões físicas ou abusos graves diretos. É logo após esse pico de perigo que surge a perigosa “lua de mel”, quando o parceiro demonstra arrependimento, promete mudanças e usa justificativas como estresse excessivo, ciúmes ou bebida. A vítima cede à reconciliação, mas, sem responsabilização legal, o ciclo recomeça e se torna cada vez mais grave.

Como pedir ajuda em Santa Catarina

Se você identificou algum desses sinais na sua relação ou conhece uma mulher nessa situação, o Estado de Santa Catarina oferece uma rede de proteção gratuita e sigilosa. O primeiro passo em casos de emergência ou de agressão ocorrendo no momento é ligar imediatamente para o telefone 190, da Polícia Militar.

Para denúncias anônimas, orientações gerais ou situações que não estão no calor do momento, o número 180 (Central de Atendimento à Mulher) funciona 24 horas por dia em todo o território nacional. Em Santa Catarina, as vítimas também devem procurar a Polícia Civil, preferencialmente nas unidades da DPCAMI (Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso), especializadas no acolhimento feminino.

Além da esfera policial, os municípios catarinenses contam com os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS), que oferecem suporte psicológico, social e jurídico contínuo. O apoio profissional é o elemento mais importante para que a mulher consiga romper o ciclo de violência, resgatar sua autoestima e reconstruir a vida com segurança e autonomia.


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