Santa Catarina lidera o país em ameaças contra mulheres, aponta Anuário Brasileiro de Segurança Pública
Estado aparece entre os piores índices de descumprimento de medidas protetivas
Santa Catarina voltou a ocupar uma posição de destaque no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Desta vez, porém, o principal alerta está relacionado à violência contra a mulher. O estado lidera o ranking nacional de registros policiais de ameaças contra mulheres e apresenta um dos maiores índices de descumprimento de medidas protetivas do país.
Conforme o levantamento, durante 2025 foram contabilizadas 71.697 ocorrências de ameaças contra mulheres em Santa Catarina. O número representa uma taxa de 1.733 registros para cada 100 mil mulheres, a maior do Brasil e mais que o dobro da média nacional, que ficou em 720,9 casos por 100 mil mulheres.
Na sequência aparecem o Amapá, com taxa de 1.491 ocorrências por 100 mil mulheres, e o Distrito Federal, com 1.477 registros por 100 mil mulheres.
O estudo destaca que esses dados refletem apenas os casos que chegaram ao conhecimento das autoridades policiais. Isso significa que a violência sofrida pelas mulheres pode ser ainda maior, considerando a subnotificação de ocorrências que não são registradas.
Outro dado considerado preocupante pelo Anuário é o número de casos de descumprimento de medidas protetivas. Em Santa Catarina, a taxa foi de 93,8 registros para cada 100 mil mulheres, muito acima da média brasileira, de 61,9 casos por 100 mil mulheres. O índice praticamente se manteve estável em relação ao ano anterior, quando o estado registrou taxa de 93,6.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o cenário reforça a necessidade de ampliar ações preventivas, fortalecer a rede de proteção às vítimas e desenvolver políticas públicas que atuem antes que a violência evolua para casos mais graves.
Como contraponto, o mesmo levantamento mostra que Santa Catarina alcançou, em 2025, a menor taxa de mortes violentas intencionais do Brasil. Apesar desse resultado positivo na redução da violência letal, os indicadores relacionados à violência contra a mulher demonstram que o estado ainda enfrenta desafios significativos na proteção das vítimas e no enfrentamento desse tipo de crime.
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