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Santa Catarina

Saúde mental: SC tem 900 internações infantis em 2025

Crise na saúde mental infantil: SC internou 900 crianças em 2025 e MPSC aciona a Justiça por falta de atendimento.

Éder Luiz

Éder Luiz

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Cerca de 900 crianças e adolescentes precisaram de internação psiquiátrica em Santa Catarina apenas em 2025, revelando uma crise no atendimento à saúde mental infantil. Diante da demora por consultas e da falta de estrutura da rede estadual, o Ministério Público (MPSC) entrou com uma ação na Justiça cobrando providências imediatas para garantir o tratamento adequado aos jovens, com foco urgente na Grande Florianópolis.

A gravidade do problema pode ser ainda maior. O MPSC aponta que o governo estadual não possui um levantamento completo sobre a fila de espera por psiquiatras pediátricos. A situação local acompanha uma tendência nacional alarmante: pela primeira vez no Brasil, a busca por atendimento psicológico e psiquiátrico para menores superou a de adultos.

Especialistas alertam que o adoecimento emocional começa cada vez mais cedo e, na grande maioria das vezes, é um reflexo do ambiente familiar. Comportamentos como ansiedade, irritabilidade e isolamento não são traços de personalidade, mas pedidos de ajuda de crianças expostas à tensão dentro de casa. Elas absorvem o estado emocional dos adultos ao seu redor e reagem quando se sentem ameaçadas ou negligenciadas.

A exposição contínua a ambientes instáveis causa um estresse profundo que afeta o desenvolvimento do cérebro infantil, prejudicando áreas ligadas à memória e à aprendizagem. Profissionais da área médica e psicológica alertam que as consequências de uma infância em constante estado de alerta se estendem por toda a vida, gerando adultos inseguros e com dificuldade de concentração.

Há também forte preocupação com a prescrição excessiva de medicamentos. O aumento dos casos resultou na medicalização rápida de sintomas como agitação e desatenção. Especialistas alertam que muitos diagnósticos de transtornos, como o TDAH, são dados a crianças que, na verdade, estão reagindo a traumas não tratados. O remédio diminui o sintoma, mas não resolve a raiz do problema.

A orientação clínica aponta para a mudança de comportamento dos cuidadores. Como as crianças não sabem lidar sozinhas com o que sentem, elas dependem de adultos emocionalmente estáveis para se regular. Em um momento em que centenas de milhares de brasileiros se afastam do trabalho por depressão e burnout, a recomendação é clara: cuidar da própria saúde mental é a medida mais eficaz que os pais podem tomar para garantir o bem-estar e o desenvolvimento saudável de seus filhos.


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