Temporada de tornados com El Niño: por que o Oeste de SC virou alvo de alerta máximo e até de ‘caçadores’ dos EUA
O risco de tornados no Oeste e Meio-Oeste de SC aumenta na primavera. A Região atrai 'caçadores de tempestades' para monitorar supercélulas.
A proximidade da primavera acende o sinal de alerta no Oeste e no Meio-Oeste de Santa Catarina. Conhecida pela frequência de tempestades severas, a região entra na época de maior risco para a formação de supercélulas — tempestades altamente organizadas capazes de provocar granizo, vendavais e tornados. O cenário ganha atenção adicional diante da influência do fenômeno El Niño, que altera os padrões de circulação atmosférica e aumenta a instabilidade no Sul do Brasil.
O alerta mais recente foi feito pelo meteorologista Piter Scheuer. Ele aponta que o Oeste catarinense faz parte do segundo maior corredor de tornados do planeta, ficando atrás apenas da Região Central dos Estados Unidos (conhecida como Tornado Alley).
Por que o Oeste de Santa Catarina é um corredor de tornados?
A formação desses eventos extremos na região ocorre devido ao encontro de fatores meteorológicos específicos:
- Transporte de calor e umidade: O Jato de Baixos Níveis conduz ar quente e úmido da Floresta Amazônica em direção ao Sul;
- Sistemas de pressão e relevo: A influência da Cordilheira dos Andes canaliza os ventos e favorece a criação de sistemas de baixa pressão;
- Frentes frias: A chegada do ar frio vindo do Sul encontra a massa quente instalada sobre a região, gerando forte instabilidade e rotação na atmosfera.
Embora o El Niño não cause diretamente um tornado, ele favorece a passagem mais frequente de frentes frias e a manutenção de um ambiente propenso a tempestades violentas.
‘Caçadores de tempestades’ dos EUA preparam expedição ao Sul do Brasil
A combinação meteorológica atípica atraiu o interesse do renomado meteorologista norte-americano Reed Timmer. Líder da equipe Team Dominator, Timmer anunciou que pretende desembarcar no Sul do Brasil em breve para acompanhar o período de tempestades severas no que ele denomina de “Alameda dos Tornados” da América do Sul (que engloba os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná).
A movimentação da equipe norte-americana tem fins de pesquisa e monitoramento e não significa um indicativo de impacto imediato em uma cidade específica.

Histórico de destruição e orientações de segurança
O histórico catarinense reforça o motivo de preocupação: episódios como os tornados de Guaraciaba (em 2009) e de Xanxerê (em 2015) causaram rastro de destruição e vítimas. Em novembro de 2025, a Defesa Civil confirmou três tornados no mesmo dia atingindo Dionísio Cerqueira, Xanxerê e Faxinal dos Guedes.

A Defesa Civil de Santa Catarina orienta que, ao receber um alerta de tempestade severa ou notar a aproximação do fenômeno:
- Não saia para filmar ou fotografar;
- Busque abrigo imediato em construções de alvenaria e permaneça longe de portas e janelas de vidro;
- Proteja a cabeça e o pescoço sob móveis firmes ou no cômodo mais central do imóvel;
- Mantenha distância de postes, árvores, placas de sinalização e estruturas metálicas.
Fonte: ND+
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