Projeto quer garantir medicamento gratuito para obesidade grave em SC
Proposta avança na Alesc, mas governo pede mais tempo para avaliar impacto financeiro.
Um projeto apresentado na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) propõe a criação de uma política estadual para fornecer gratuitamente a tirzepatida, comercializada como Mounjaro, a pacientes com obesidade grau III. No entanto, conforme revelou o NSC Total, o governo do Estado decidiu interromper temporariamente a tramitação para analisar com mais profundidade os impactos da medida.
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A proposta é de autoria do deputado Sérgio Motta (Republicanos) e prevê que o medicamento seja disponibilizado a pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 40 kg/m², seguindo parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde. A medicação é aplicada por meio de canetas injetáveis e tem sido utilizada no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
O texto chegou a ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e avançou para a Comissão de Finanças e Tributação. Porém, durante a análise nesta terça-feira (3), o líder do governo na Alesc, deputado Maurício Peixer (PL), solicitou vista da matéria, adiando a votação. Segundo apurado pelo NSC Total, o Executivo quer examinar especialmente o impacto econômico da proposta antes de permitir que ela avance.
De acordo com o projeto, o acesso ao medicamento dependerá de uma série de critérios cumulativos. Entre eles estão prescrição emitida por profissional da rede pública, laudo médico confirmando obesidade mórbida e indicação terapêutica formal, além de acompanhamento multidisciplinar contínuo. Também será exigida comprovação de renda familiar de até três salários mínimos.
Adolescentes entre 16 e 18 anos poderão ser incluídos no programa, desde que haja supervisão especializada e autorização dos responsáveis legais. O texto ainda estabelece prioridade para pacientes com comorbidades associadas a maior risco cardiovascular.
Outro ponto previsto é que a manutenção do benefício estará condicionada ao cumprimento do plano terapêutico, comparecimento às consultas periódicas e assinatura de termo de responsabilidade. O descumprimento injustificado poderá resultar na suspensão do fornecimento.
Na justificativa, o deputado argumenta que a obesidade representa um dos principais desafios de saúde pública, impactando diretamente na qualidade de vida da população e nos custos do sistema de saúde. Segundo ele, embora a tirzepatida apresente resultados positivos na redução de peso e na melhora clínica, o valor elevado do tratamento limita o acesso das camadas mais vulneráveis. A proposta, portanto, busca ampliar o acesso ao medicamento, prevenir complicações e reduzir internações, alinhando-se ao direito constitucional à saúde.
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