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Economia
Estudo da Fiesc aponta possível corte de 41 mil vagas em SC com redução da jornada para 40 horas
Análise apresentada à bancada federal projeta queda no PIB, nas exportações e aumento de preços no Estado.
A proposta de reduzir a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e extinguir a escala 6×1 pode gerar impactos significativos na economia catarinense. Um estudo apresentado nesta terça-feira (24) à bancada federal de Santa Catarina, em Brasília, estima que cerca de 41,4 mil postos de trabalho poderão ser fechados no Estado nos próximos dois anos caso a medida seja implementada.
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O tema está em debate no Congresso Nacional e deve ganhar ainda mais destaque no cenário político, especialmente com a aproximação das eleições de 2026.
Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), Gilberto Seleme, a mudança pode comprometer a competitividade da indústria catarinense, tanto no mercado internacional quanto no nacional. Ele alerta que setores mais dependentes de mão de obra e com forte concorrência externa tendem a ser os mais afetados.
Entre os segmentos que podem sofrer maior impacto estão as indústrias de alimentos e madeira, responsáveis por grande volume de empregos e com forte participação nas exportações. Como disputam mercado com produtores de outros países e operam com margens apertadas, essas áreas teriam pouca capacidade de absorver o aumento de custos decorrente da redução da jornada sem diminuição de salários.
O levantamento projeta reflexos diretos na balança comercial do Estado. A estimativa é de retração de 1,07% nas exportações catarinenses, com quedas mais acentuadas nas vendas externas de carne de aves (-3,3%) e carne suína (-3,1%). O setor madeireiro também aparece entre os mais afetados, com redução prevista de 2,6% nas exportações de madeira bruta e de 2,4% nos produtos derivados.
Além do impacto no comércio exterior, o estudo aponta uma possível retração de 0,6% no Produto Interno Bruto (PIB) de Santa Catarina no período de dois anos. A indústria teria queda estimada em 1,15%, com a região Oeste liderando as perdas, podendo registrar recuo de 1,39%. O desempenho negativo estaria relacionado não apenas à diminuição das exportações, mas também à perda de competitividade no mercado interno, o que poderia ampliar a entrada de produtos importados.
Embora a redução da jornada possa resultar em aumento de renda e estimular o consumo, a análise indica que esse efeito não seria suficiente para compensar o encarecimento da produção. A projeção da FIESC é de alta média de 2,64% nos preços no Estado. Setores mais intensivos em mão de obra, como a construção civil, poderiam registrar aumento de 4,26%. Já alimentos (+3,6%) e vestuário (+3,57%) também teriam reajustes relevantes, impactando diretamente o orçamento das famílias.
Outro possível desdobramento apontado é a aceleração da automação em determinados setores industriais. Diante do aumento de custos, empresas poderiam optar por substituir parte da mão de obra por sistemas automatizados, o que reforçaria os efeitos sobre o emprego.
Para a FIESC, a discussão sobre a redução da jornada precisa considerar cuidadosamente os impactos econômicos e sociais antes de qualquer decisão definitiva, especialmente em um Estado cuja economia é fortemente baseada na indústria e nas exportações.
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