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Foto Lucas Amorelli, Arquivo DC
Brasil e Mundo

Temperaturas globais podem bater novos recordes até 2030, alerta relatório da ONU

Estudo aponta alta probabilidade de anos ainda mais quentes na próxima década e reforça preocupação com as mudanças climáticas

Luan

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Foto Lucas Amorelli, Arquivo DC

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Um novo relatório divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), indica que o planeta poderá enfrentar novos recordes de temperatura nos próximos cinco anos. O estudo, elaborado em parceria com o Met Office, serviço meteorológico do Reino Unido, aponta uma tendência contínua de aquecimento global entre 2026 e 2030.

De acordo com a análise, as temperaturas médias globais anuais devem ficar entre 1,3°C e 1,9°C acima dos níveis registrados antes da Revolução Industrial, período utilizado como referência para medir o avanço das mudanças climáticas.

Os pesquisadores estimam que existe uma probabilidade de 86% de que pelo menos um dos anos entre 2026 e 2030 ultrapasse 2024, atualmente considerado o ano mais quente já registrado no planeta.

Em 2024, a temperatura média global ficou cerca de 1,55°C acima da média observada entre os anos de 1850 e 1900, superando temporariamente o limite de 1,5°C estabelecido como meta pelo Acordo de Paris.

Segundo os especialistas, o aumento contínuo da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera segue como o principal fator responsável pelo aquecimento global. Além disso, fenômenos climáticos naturais podem intensificar ainda mais esse cenário.

Um dos destaques do relatório é a possível influência do fenômeno El Niño, que costuma elevar as temperaturas médias globais ao alterar padrões atmosféricos e oceânicos em diversas regiões do mundo. Conforme o cientista Leon Hermanson, principal autor do estudo, a previsão de ocorrência do fenômeno aumenta as chances de que 2027 se torne um novo ano recordista em calor.

O levantamento também aponta uma probabilidade de 75% de que a média global de temperatura entre 2026 e 2030 permaneça acima de 1,5°C em relação ao período pré-industrial.

Apesar disso, a OMM ressalta que o Acordo de Paris considera médias de longo prazo, calculadas ao longo de aproximadamente duas décadas. Dessa forma, o fato de alguns anos isolados ultrapassarem a marca de 1,5°C não significa, necessariamente, que as metas climáticas globais tenham sido definitivamente comprometidas.

Os cientistas destacam, porém, que essas ultrapassagens temporárias tendem a se tornar cada vez mais frequentes à medida que a temperatura média do planeta continua aumentando.

Por outro lado, o estudo considera muito improvável que algum ano isolado ultrapasse a marca de 2°C de aquecimento global até 2030. A chance de isso ocorrer é inferior a 1%, segundo os dados apresentados.

O relatório reforça os alertas da comunidade científica internacional sobre a necessidade de reduzir as emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa e acelerar medidas de adaptação às mudanças climáticas, que já provocam impactos em diferentes regiões do mundo, como ondas de calor mais intensas, secas prolongadas, chuvas extremas e eventos meteorológicos severos.


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