Mulher que se passava por adolescente em SC é denunciada à Justiça
MP pede que investigada responda por falsa identidade e estelionato; polícia apura casos semelhantes em outros estados e cidades.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou a mulher de 37 anos acusada de se passar por uma adolescente e viver durante mais de um ano com uma família de Joinville. A denúncia foi protocolada na segunda-feira (8) e pede que Amanda Maria Souza de Oliveira responda pelos crimes de falsa identidade e estelionato.
Agora, caberá à Justiça analisar a denúncia e decidir se a investigada se tornará ré no processo. Até a manhã desta terça-feira (9), não havia decisão sobre o pedido apresentado pelo Ministério Público.
O caso ganhou repercussão nacional após a descoberta da fraude, em 2 de junho. Na ocasião, Amanda foi presa na residência da família que a acolheu acreditando estar ajudando uma adolescente em situação de vulnerabilidade.
História começou com pedido de ajuda
Segundo as investigações, a aproximação da mulher ocorreu por meio de um pastor de uma igreja local. Inicialmente, ela se apresentou à família utilizando o nome de Gabriele e afirmou ter 18 anos. Na época, alegou possuir experiência na área de panificação e disse que buscava uma oportunidade de trabalho.
Com o passar dos meses, Amanda passou a relatar dificuldades financeiras e problemas de saúde, conquistando gradativamente a confiança dos moradores da casa. Sensibilizada com a situação, a família ofereceu apoio material e emocional, chegando inclusive a fornecer medicamentos para auxiliar em tratamentos de saúde mencionados por ela.
Posteriormente, a mulher mudou completamente a versão apresentada aos anfitriões. Ela passou a afirmar que, na verdade, tinha apenas 11 anos de idade e relatou ter sido vítima de abusos. Comovido com a história, o casal decidiu acolhê-la em casa, onde ela permaneceu por cerca de 14 meses. Durante esse período, chegou até mesmo a receber uma festa para comemorar os supostos 12 anos.
Denúncia de familiar revelou a fraude
A situação veio à tona após uma tia da investigada reconhecer indícios da farsa e alertar o homem que acreditava ser o pai adotivo da adolescente. Embora inicialmente tenha duvidado das informações, ele passou a desconfiar ao identificar semelhanças entre a mulher que vivia em sua casa e reportagens divulgadas sobre o caso.
A partir da denúncia, a polícia iniciou as investigações que resultaram na descoberta da verdadeira identidade de Amanda.
Em depoimento às autoridades, a mulher admitiu ter utilizado o mesmo tipo de golpe em outras localidades do país. Segundo a Polícia Civil, ela relatou situações semelhantes em Curitiba, no Paraná; Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro; além de episódios nos estados de Minas Gerais, Goiás e Ceará.
Em Santa Catarina, os investigadores também apuram possíveis ocorrências envolvendo a suspeita em Florianópolis e Chapecó. Quando foi indiciada pela polícia, a defesa da investigada informou que aguardaria a realização de uma avaliação psiquiátrica antes de se manifestar oficialmente sobre os fatos.
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