Mortes de motociclistas aumentam em rodovias federais de SC apesar de queda no total de acidentes
Primeiro semestre de 2026 registrou 73 mortes envolvendo motos nas BRs catarinenses. SC lidera índice nacional de acidentes.
O primeiro semestre de 2026 escancarou uma realidade preocupante nas rodovias de Santa Catarina: embora o número total de acidentes tenha diminuído, a gravidade e a letalidade das colisões envolvendo motocicletas aumentaram significativamente.
Somente nas rodovias federais que cortam o Estado — incluindo importantes vias de escoamento e ligação da nossa região como a BR-282 e a BR-470 —, 73 pessoas perderam a vida em 181 dias. O número representa uma média assustadora de quase três mortes por semana.
Menos sinistros, mais letalidade
De acordo com os dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), contabilizados de 1° de janeiro a 30 de junho de 2026, houve 1.986 acidentes nas rodovias federais catarinenses, uma queda de 2,22% em relação ao mesmo período de 2025.
Contudo, as 73 mortes de motociclistas representam um aumento de 8,96% em comparação ao ano passado. Além das vítimas fatais, 2.161 pessoas ficaram feridas nesses acidentes, 181 a mais que em 2025. Somando-se as rodovias federais e estaduais, SC já atingiu a triste marca de 259 mortes de motociclistas nestes primeiros seis meses.
Para a especialista em Direito de Trânsito, Márcia Pontes, o fenômeno tem uma explicação histórica: “A motocicleta é muito pequena e trafega ao lado de caminhões e de todo tipo de veículo grande. Houve uma quantidade menor de sinistros de trânsito, mas a gravidade dos acidentes aumentou”, alerta a instrutora, lembrando que a maior quantidade de mortos e sequelados permanentes no trânsito está diretamente associada a esse tipo de veículo.
SC na liderança de um ranking trágico
Os números colocam Santa Catarina no topo das estatísticas de violência no trânsito. Um levantamento do Observatório Fetrancesc revelou que o Estado possui a maior taxa de acidentes em rodovias federais do país. São cerca de 340 ocorrências a cada 100 quilômetros, um número brutalmente superior à média nacional, que é de 108.
A letalidade também é o dobro: Santa Catarina registra 18 óbitos por 100 quilômetros de rodovia federal, enquanto a média do Brasil é de nove. O trecho da Grande Florianópolis da BR-101 foi o local com mais mortes registradas neste semestre.
O perigo dos veículos autopropelidos
As estatísticas ganham um novo componente de risco: os veículos autopropelidos, como patinetes elétricos. A especialista Márcia Pontes reforça que a febre desses equipamentos vem somando preocupações, já que muitos condutores ignoram a legislação e invadem vias de trânsito rápido.
Recentemente, um homem de cerca de 30 anos morreu após pilotar um veículo autopropelido na contramão na rodovia estadual SC-401, em Florianópolis. Ele colidiu de frente com um automóvel e morreu no local, ilustrando o perigo de misturar esses equipamentos com o tráfego rodoviário de alta velocidade.
Fonte: NSC
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