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Concórdia

Após pressão, ANTT fará audiências em Joaçaba e Concórdia sobre concessão das BRs 282 e 153

Após forte rejeição e pressão, ANTT confirma novas audiências em Joaçaba e Concórdia para debater pedágios e duplicação da BR-282 e 153.

Luan

Luan

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A forte reação negativa de prefeitos, deputados e do setor produtivo do Oeste catarinense surtiu efeito. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) realizará novas audiências públicas nos municípios de Joaçaba e Concórdia para debater o modelo de concessão à iniciativa privada das rodovias federais que cortam a região (BRs 153, 282 e 480). As datas dos novos encontros devem ser confirmadas nos próximos dias.

A decisão atende a um pedido da bancada federal catarinense, articulado pelo deputado federal Pedro Uczai (PT/SC), após a audiência pública realizada na semana passada em Chapecó ser marcada por um clima de profunda frustração. A proposta apresentada pelo Governo Federal prevê a cobrança de pedágios pelo sistema automático Free Flow por 30 anos, mas oferece uma quilometragem de duplicação considerada “pífia” pelas lideranças locais.

“Deixamos claro que as propostas apresentadas até o momento são insuficientes. Precisamos de mais duplicações, mais terceiras faixas e mais vias marginais. O diálogo com lideranças do setor produtivo de Concórdia, Joaçaba e Campos Novos é imprescindível”, afirmou Uczai nesta quinta-feira (18).

Joaçaba havia sido “esquecida” no projeto

A confirmação de uma audiência em Joaçaba é uma vitória para as lideranças locais, que protestaram duramente durante o encontro em Chapecó.

Na ocasião, o secretário de Desenvolvimento Econômico de Joaçaba, Michael Oriques, apontou que o município havia sido “esquecido” pela ANTT. Ele destacou que projetos de entroncamentos e melhorias em locais de alta acidentalidade — que já haviam sido amplamente discutidos com o DNIT — simplesmente não constam na atual proposta de concessão.

Diante do cenário, Oriques e a presidente da Câmara de Vereadores de Joaçaba, Jaqueline Demarco, exigiram publicamente que a ANTT fosse até o município ouvir as demandas locais, pedido que agora foi acatado.

“Deboche e palhaçada”: A revolta regional em Chapecó

O clima na audiência da semana passada foi tenso. O projeto da ANTT divide a concessão em Lotes. O Lote 1 (BR-153, 282 e 470) tem 515 km, mas prevê apenas 50 km de duplicação. O Lote 3 (BR-153, 282 e 480) tem 166 km, com meros 29 km de duplicação previstos para os próximos 30 anos.

O volume de obras gerou indignação geral:

  • Setor Produtivo: Ivo Alberto Toso, representante da Fetran, classificou a proposta como um “deboche” e disse que a região estava sendo tratada com “palhaçada” diante do alto número de mortes. Lenoir Broche (FACISC) lembrou que SC tem o 5º maior agronegócio do país e exige estradas à altura. Entidades afirmaram que o setor aceita pagar pedágio, desde que a duplicação seja de 100%.
  • Extremo Oeste: O prefeito de Pinhalzinho, Alessandro Beltrame, criticou o fato de a região, maior polo de processamento de leite da América Latina, ter sido deixada de fora das melhorias de segurança.
  • Vidas perdidas: Douglas Brown, representando o Hospital Regional do Oeste e a OAB, relatou o drama da saúde: muitas vítimas de acidentes morrem nas ambulâncias porque não conseguem chegar a tempo aos hospitais devido à precariedade da BR-282.

Políticos também subiram o tom. O deputado federal Valdir Cobalquini declarou-se “desapontado” com a exclusão do trecho até São Miguel do Oeste, enquanto o executivo de Chapecó, representado por Valmor Escolar, ameaçou pedir a municipalização do acesso à cidade caso o projeto não seja revisto.

Obras do DNIT e o Trevão do Irani

Durante os debates, surgiu a dúvida sobre o que acontecerá com obras que já eram aguardadas antes da ideia de pedágios. O superintendente do DNIT em SC, Amauri, garantiu que o órgão continuará tocando os projetos em andamento, independentemente da concessão.

Sobre o elevado do Trevão do Irani (entroncamento crítico das BRs 153 e 282), o superintendente informou que a obra deve ser licitada pelo próprio DNIT ainda no segundo semestre de 2026, sendo incorporada depois à concessão.

Como vai funcionar o pedágio?

Caso o modelo avance, as rodovias não terão as tradicionais praças com cancelas. A ANTT implementará o sistema Free Flow (fluxo livre), onde pórticos com câmeras e sensores leem as placas e as tags dos veículos em movimento. A cobrança é proporcional ao trecho percorrido, e a conta chega de forma digital para o motorista.

O presidente da audiência da ANTT, Marcelo Fonseca, garantiu que o atual desenho é apenas uma “proposta inicial” e que o projeto pode sofrer alterações substanciais antes de ser enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU).

A população e entidades ainda podem enviar sugestões oficiais pelo sistema ParticipANTT até as 23h59 do dia 29 de junho.


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