Apostas online no Brasil: famílias perdem R$ 62,5 bilhões em 2025
Levantamento aponta que apostas online no Brasil consumiram R$ 62,5 bilhões das famílias em 2025, via transações no Pix.
Levantamento do Comsefaz, com dados do Banco Central, mostra que casas de apostas movimentaram quase R$ 351 bilhões via Pix no período
As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões com apostas online no Brasil ao longo do último ano, aponta um levantamento divulgado nesta semana pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz). O valor representa a diferença entre o que foi apostado e o que retornou aos jogadores em forma de prêmios.
Segundo o estudo, a perda equivale a uma média de R$ 4,7 bilhões por mês, considerando o período entre outubro de 2024 e março deste ano. Os números têm como base estatísticas de pagamentos do Banco Central e consideram as transferências feitas por Pix às plataformas de apostas.
Na mesma janela analisada, as casas de apostas movimentaram cerca de R$ 351 bilhões em transações via Pix. As perdas das famílias correspondem a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta dos brasileiros, indicador que mede a renda total disponível para consumo e poupança.
Regulação das apostas online no Brasil ainda não freia a compulsão por jogos
Desde a regulamentação do setor, em janeiro do ano passado, o boletim identificou mudanças no fluxo de dinheiro que antes era destinado a áreas como artes, cultura, esporte e recreação, sinalizando que as famílias passaram a comprometer parte maior da renda com apostas.
A legislação que regulamentou as bets exige que as plataformas bloqueiem o acesso de usuários identificados como apostadores compulsivos. Na prática, porém, especialistas que atuam na área afirmam que o mecanismo tem funcionado de forma inversa, já que os algoritmos das casas de apostas costumam oferecer bônus e incentivos extras justamente a quem demonstra sinais de dependência, aprofundando o prejuízo financeiro dessas pessoas.
O levantamento também mostra os efeitos da proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família, em vigor desde outubro do ano passado. Após a medida, houve desaceleração no ritmo das transações do setor, o que indica, segundo o Comsefaz, que famílias de menor renda tinham participação relevante no mercado de apostas.
Com informações da Agência Brasil.
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