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Brincadeira que invoca espírito se espalha pelas escolas da região

Uma brincadeira que parece inofensiva e apenas serviria para aguçar a curiosidade está preocupando pais.

Éder Luiz

Éder Luiz

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Uma brincadeira que parece inofensiva e apenas serviria para aguçar a curiosidade está preocupando pais. O Portal Éder Luiz foi informado nesta semana que se espalha rapidamente nas escolas da região o "Charlie Charlie challenge" (“Desafio do Charlie Charlie”) uma febre entre os jovens de todo o mundo e que se transformou em um fenômeno viral no Twitter, no Facebook, no WhatsApp e em outras mídias sociais. Basicamente, trata-se de invocar a presença de um espírito chamado "Charlie" para consultá-lo sobre o futuro. Usa-se uma folha de papel, na qual estão escritas as palavras "sim" e "não", e dois lápis posicionados em forma de cruz no centro da folha. Quando se faz uma pergunta, como "Charlie, Charlie, vou passar na prova?", o espírito se manifesta movendo a ponta do lápis para o "sim" ou para o "não".

Como não poderia deixar de ser, muitas pessoas temem que a brincadeira possa causar efeitos negativos e perigosos, como os que aconteceram em uma escola de Roraima e foram noticiados pela mídia nacional.

No último dia 29 de maio quatro adolescentes foram levados a uma igreja pela Polícia Militar após passarem mal depois de fazerem a brincadeira 'Charlie Charlie'. De acordo com a polícia, os estudantes brincavam em um terreno baldio em frente a uma escola em Boa Vista, quando começaram a sentir um mal-estar. Ao todo, seis viaturas foram deslocadas para atender a ocorrência.

Quando chegaram ao local, os policiais se depararam com uma aluna que afirmava estar com dores no estômago.

"Quando a primeira viatura chegou tinha somente uma menina sentindo um mal-estar na barriga. O colega pediu para ver o que estava acontecendo e ela caiu. Logo em seguida outros dois caíram e começou aquele desespero", relatou o policial.

A polícia só entendeu o que estava acontecendo quando outro aluno mostrou um vídeo onde os adolescentes apareciam brincando de 'Charlie Charlie'. "Os colegas pediram apoio policial enquanto outras pessoas iam desmaiando e esperneando. Os alunos se batiam e se jogavam nas paredes e nas árvores. Ficavam falando palavras com vozes pesadas e os olhos reviravam. Parecia que tinha alguma coisa dentro deles que girava por conta própria", detalhou.

Sem poder controlar os estudantes, o Polícia Militar informou que a primeira providência foi acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Eles relataram o acontecido, mas foram informados que 'esse tipo de serviço não era de competência deles [Samu]'. Diante disso, um dos policiais apresentou a ideia de levar os adolescentes a uma igreja.

"Muita gente estava em transe naquele momento, cerca de oito pessoas, mas conduzimos somente as que estavam em estado mais grave, que eram quatro estudantes". Segundo o policial, os adolescentes tinham entre 14 e 15 anos de idade.

Depois de passarem por três igrejas que estavam fechadas, os policiais encontraram uma igreja aberta. "Fiz contato com o pastor que orou na cabeça de cada um e logo em seguida chegou mais uma jovem que também estava brincando, tinha melhorado, mas acabou desmaiando no caminho de casa".

Ainda conforme relatos do policial, um dos policiais militares chegou a passar mal também. "Ele tem um conhecimento religioso e como tinha um rapaz lá que desafiava muito, fazia gestos, falava e gritava, ele resolveu tentar acalmar. Quando conseguiu e saiu de perto do rapaz, também ele sentiu algo tomando conta do corpo dele", contou, afirmando que o policial foi atendido pelo pastor e se sentiu melhor.

Cerca de 3 horas após o início da ocorrência a situação começou a ser controlada. Depois de se sentirem melhor, os adolescentes foram levados individualmente para suas casas.

Histeria em massa

A psicóloga Gabriela Matias explicou que o acontecido pode ser explicado pelo fenômeno da 'histeria em massa'. "É uma reação em massa. Um deles viu o outro passar mal e aquilo reverberou em todos.Todo mundo espera que aconteça e todos os envolvidos sentem alguma coisa", esclareceu.

Segundo Gabriela, a psicologia da religião explica que esses fenômenos podem acontecer de acordo com a crença da pessoa. "Elas estavam querendo, estavam esperando e desejando aquilo. Eles estavam tão esperançosos que tivesse um espírito e que o espírito fosse falar", comentou.

Sobre a orientação que deve ser dada aos jovens, a psicóloga recomendou que o interessante é não brincar com o que a gente não conhece.

"Se você quer saber sobre espíritos, você deve estudar, pegar um livro de Allan Kardec e estudar. A internet nos oferece várias informações. Claro que é importante saber dosar o que é verdade e o que é mentira, mas tem sites sérios", orientou a psicóloga.

Jogada de marketing

Recentemente foi divulgado que o jogo não passa de uma jogada de marketing para divulgar um filme que que será lançado no Brasil em agosto, com o título de "A Forca". Mesmo com a explicação a brincadeira não é bem aceita por pais mais preocupados.

O mistério

Têm sido apresentadas diversas explicações possíveis para o fenômeno: a força da gravidade, o vento, a força da sugestão. O fato, no entanto, é que parece não haver truques, nem vento, nem ímãs sob a mesa, nem fios transparentes, nem ilusões de ótica. Além disso, a enorme quantidade de vídeos amadores publicados na internet em dezenas e dezenas de países torna difícil pensar que todo o mundo esteja fazendo, em poucas horas e ao mesmo tempo, ótimos trabalhos de edição digital.

Jogo ou ritual ocultista?

Aparentemente, o “Charlie Charlie challenge” é um simples passatempo para curiosos interessados numa prévia do futuro. O jogo, porém, incursiona no âmbito misterioso do ocultismo e flerta de fato com o sobrenatural e imprevisível. Os vídeos postados na internet mostram jovens que, ao verem o lápis se movendo sozinho, saem gritando aterrorizados.

Fenômeno de mídia

Os jornais norte-americanos abriram grandes e destacados espaços para o "Charlie Charlie challenge" – o fenômeno surgiu justamente nos Estados Unidos. Veículos de mídia de amplíssimo alcance, como o Huffington Post, o Washington Post, a BBC e outras respeitáveis agências de notícias ​​o descreveram com detalhadas “instruções de uso”.

Com informações do G1

 

 

 


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