Cinema na Vila: Cultura e comunidade reunida na Vila Cachoeirinha
O evento aconteceu dia 16 de março, no Campinho de Futebol da Vila Cachoeirinha, com a participação da comunidade da Vila e arredores, totalizando...

A programação contou com intervenção com pernas de pau, roda de capoeira, aula de dança de rua, exibição de curtas-metragens, graffiti e um show de rap. O evento foi gratuito e ofereceu pipoca, refrigerante e água para o público.
Programação
O evento apresentou uma programação diversificada com atividades que exploraram diferentes expressões artísticas e culturais, criando um ambiente envolvente e participativo para o público. A tarde começou com uma intervenção artística de Victor Falk, que, com suas pernas de pau, cativou a plateia com malabarismos e técnicas circenses, encantando a todos que ali estavam. Em seguida, o Professor Negaça, do Grupo Capoeira Brasil, realizou uma roda de capoeira junto a seus alunos e à comunidade da Vila Cachoeirinha, promovendo um momento de integração e valorização da cultura afro-brasileira, com a participação ativa dos moradores. Logo após, o bailarino e professor de dança da Creche Irmã Sheila, Igor da Cruz, conduziu o público em uma animada aula de dança de rua, incentivando todos a dançar e se expressar ao ritmo da música. Enquanto tudo isso acontecia, o artista Risco grafitava uma parede da comunidade, criando uma obra que encantou adultos e crianças, que não apenas observaram, mas também interagiam com o a todo momento. Antes da exibição do cinema, o grupo Sincronia Surreal subiu ao palco com um repertório potente e envolvente, elevando o clima do evento. Gré, Fontoura Mc, Nomgy e DJ Kaslu não apenas apresentaram um show de rap, mas também interagiram diretamente com os moradores e as crianças, criando um momento de coletividade e troca cultural.
O evento foi encerrado com uma sessão de cinema que exibiu curtas-metragens com temáticas sociais e de identidade. A programação incluiu obras como Palmilha (2018), Quem Vai Cuidar Desse Bebê? (2022) e Com-Sentimento (2021), todos dirigidos por Anderson Lima, além dos filmes da oficina O Minuto Lumière (2023), realizados por alunos da Creche Irmã Sheila em uma oficina com mentoria de Rudolfo Auffinger, explorando narrativas de terror. Também foi exibido o curta O Minuto Que Foi (2025), produzido em uma oficina com mentoria de Yasser Socarrás. A sessão celebrou a diversidade e o poder do cinema como ferramenta de expressão e transformação.
Um direito essencial.
O evento foi idealizado com o objetivo de oferecer uma tarde de programação cultural diversificada, criando um espaço de encontro e convivência para toda a comunidade. Os moradores da Vila Cachoeirinha enfrentam desafios cotidianos, como a falta de acesso à água tratada, dificuldades relacionadas à moradia digna e à saúde, a carência de serviços públicos de qualidade e, principalmente, o preconceito que muitas pessoas dirigem àqueles que vivem na comunidade. Além disso, são raras as atividades de lazer levadas até a vila e acessíveis a todos os moradores. A Creche Irmã Sheila, por exemplo, já desenvolve há anos projetos no contraturno, com aulas e oficinas culturais para as crianças, mas isso ainda é insuficiente diante de tantas necessidades da comunidade. É urgente que as periferias da cidade tenham acesso a mais oportunidades de lazer, entretenimento e expressão cultural, não apenas como forma de diversão, mas como um direito essencial para o desenvolvimento social e a qualidade de vida dessas populações. Simone Azevedo, produtora local do evento, comenta que “O evento que fizemos juntos é muito importante, para que a vida das famílias lá dentro possa mudar pelo menos um pouco, né, para melhor, se mais pessoas se mobilizarem e quiserem ajudar, né. Então, isso para mim é bem importante, ver a vila e as crianças com outros olhos”.
Um exemplo direto do impacto do evento foi a limpeza do campinho da Vila, realizada pela prefeitura através da Secretaria de Infraestrutura e Agricultura. O espaço, que é amplo e muito utilizado por crianças e adolescentes para brincar, costuma ficar coberto por mato alto, o que impede o uso pleno do local. Ainda, muitas pessoas de fora da Vila costumam ir depositar seus lixos no campinho, como se ali fosse lugar para isso. De acordo com os moradores, pela primeira vez em muitos anos, o campinho passou por uma limpeza completa e eficiente, deixando-o não apenas bonito, mas também funcional para a comunidade, já que assim as crianças podem brincar livremente. A limpeza, no entanto, não pode ser um evento isolado. Para que o campinho continue sendo um ambiente funcional, é essencial que ações como essa sejam realizadas com regularidade. A manutenção recorrente desse espaço não só garantiria o direito ao lazer e ao brincar, mas também demonstraria um compromisso real com o bem-estar e a dignidade dos moradores.
Simone destaca que a comunidade como um todo aprovou o evento, e as crianças, em especial, comentaram muito sobre a experiência. “Me senti muito feliz, muito realizada de poder estar lá, fazer esse evento que as crianças amaram, a comunidade inteira gostou muito.” Era nítida a felicidade estampada no rosto de todos, evidenciando a importância daquele momento para a Vila.
O evento mostra a importância de desenvolver projetos que debatam questões que afetam o cotidiano dos moradores. No entanto, é urgente que mudanças concretas aconteçam e que a sociedade enxergue de fato a realidade da Vila Cachoeirinha, reconhecendo suas necessidades e também seu potencial.
Projeto realizado com recursos do Governo Federal, Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) do Ministério da Cultura, através da Prefeitura de Joaçaba, Secretaria de Comunicação, Cultura, Turismo e Eventos e Casa da Cultura Rogério Sganzerla.
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