Coluna Brinda Brasil
Luccarelli Primitivo di Manduria 2006 Por Rodrigo LeitãoEsta semana tomei um supervinho italiano.
Luccarelli Primitivo di Manduria 2006
Por Rodrigo Leitão
Esta semana tomei um supervinho italiano. Sedoso, acidez equilibradíssima, taninos suaves, um suco de uva como bem definiu meu amigo Humberto Falcão Martins. Fui jantar na casa dele e levei algumas garrafas daquelas que a gente só abre quando tem alguém que sabe apreciar um grande vinho. Eu tinha umas garrafas de Old Vines Luccarelli Primitivo di Manduria 2006 guardadas em casa há pouco mais de um ano. Meu amigo, que é um pouco enjoada com novidades, ainda não conhecia o vinho. E qual não foi a minha surpresa quando abrimos e provamos: “Maravilhoso!” – disse ele.
Trata-se de um vinho sedoso, frutadíssimo, uma cor violeta intensa e uma garrafa pesadíssima de 1,6 kg. O acompanhamento foi uma lasanha à bolonhesa.
O Luccarelli Primitivo di Manduria 2006 oferece aromas intensos de ameixa e especiarias, sobressaindo o cravo da Índia. Encorpado e redondo é um vinho persistente e de final muito agradável. Embora tenha 14,5% de álcool, apresenta frescor e muito equilíbrio com a fruta e a acidez. Ele é produzido por uma cooperativa de San Giuseppe, que reúne um grupo de pequenos viniticultores no coração da região da Puglia (o calcanhar da bota italiana).
A uva Primitivo reina quase absoluta nessa região cuja denominação de origem controlada é a Primitivo di Manduria. A primitivo é a mesma Zinfandel da Califórnia, muitas vezes considerada como uva autóctone dos Estados Unidos, mas que na verdade tem origem na Croácia. Já tomei zinfandel, mas não chega aos pés desse Primitivo di Manduria. Esses vinhos começaram a chegar ao Brasil e, dependo da região, variam de preço entre R$ 140 (SP) e R$ 179 (Brasília). Pelo valor, é uma alternativa de excelente custo-benefício aos supertoscanas que, às vezes, têm mais nome que sabor.
Os vinhos da uva primitivo começam a invadir as gôndolas de lojas e supermercados brasileiros. Os preços iniciam na faixa de R$ 25, mas compre acima de R$ 50. Nem todo vinho italiano é bom, mas esse é ótimo. Talvez por isso seja tão caro aqui (além dos impostos diretos cobrado pelo governo brasileiro sobre a cadeia produtiva do vinho, tanto para nacionais quanto para estrangeiros, que variam de 65% a 127%). Lá na Itália custa uns 15 euros a garrafa (R$ 50).
Tin-tin!
DICA DE HARMONIZAÇÃO
A uva primitivo, assim como a Zinfandel, é uma coringa. Muito versátil para harmonizações, elas combinam bem com massas aos molhos sugo e bolonhesa, queijos amarelos, churrasco, pizzas e outros pratos à base de carne. Para Joaçaba, vale apostar no costelão e nos molhos agridoces.
Rodrigo Leitão, especialista em enogastronomia.
O colunista dedica-se há três décadas ao jornalismo e já passou por redações como O Globo, Jornal de Brasília, TV Brasília, TV Band e Rádio Band News FM, em Brasília onde atua no segmento de comunicação e eventos. Rodrigo Leitão organiza anualmente o Brinda Brasil – Salão do Espumante de Brasília, o maior encontro nacional exclusivamente com produtores de espumantes. Ele já atuou nas áreas de Economia, Política, Internacional, Cultura e Saúde, onde conquistou vários prêmios.
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