Coluna Brinda Brasil
Por Rodrigo Leitão Muita gente confunde champagne com espumante e alguns chamam todos de prosecco.
Por Rodrigo Leitão
Muita gente confunde champagne com espumante e alguns chamam todos de prosecco. Isto é muito mais comum do que se imagina. Sabe aquela história de me traz uma Brahma da Antártica? Pois é, muita gente pede prosecco rosé, por exemplo. Mas não existe prosecco rosé. Toda uva é branca, por dentro. O que dá cor é a casca e a prosecco tem casca verde clara. Portanto, você não vai achar prosecco rosé. O que dá cor ao rosé é a casca da uva tinta usada no espumante ou champagne. Em 90% dos casos, é a pinot noir.
Mas para entender toda essa confusão entre champagne, espumante, prosecco, primeiro a gente tem que entender que todas essas bebidas são espumantes. Depois a gente vai buscar as regiões produtoras para identificar a bebida. Na França, o espumante produzido em Reims, na região da Champagne, é chamado de champagne e só lá. Em nenhum outro lugar pode ser chamado de champagne. Em todo o resto da França, se chama espumante ou crémant. O crémant é um espumante com menor pressão que o champagne. Muito famosos e saborosos são os Crémant du Limoux.
Na Espanha, se chama cava e geralmente é produzida na região de Penedés, na Catalunha, pertinho de Barcelona. E 99% da produção são de lá. A cava é o espumante mais vendido em todo o mundo, porque a Espanha é o maior produtor do mundo. A cava sim pode ser branca ou rosé. Nesse caso, experimente a brut rosé Castell D'OR, que é excelente!
Na Itália você tem espumante feito no método normal, mas sem muita divulgação por aqui. Tem também o Asti, que é o espumante doce, e tem o prosecco, que é o mais famoso. Outro espumante italiano adocicado é o lambrusco, que pode ser tinto ou branco. É uma bebida popular, gaseificada e adoçada artificialmente. Custa barato e muita gente bebe achando que é espumante, mas é vinho frisante, leva açúcar e foi batizado pelo nome da uva Lambrusco.
No Brasil, Argentina, Chile, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos, ou seja, em todo o resto do mundo, é espumante. É feito no mesmo método da champagne, mas chama-se de espumante. No caso do Brasil, temos aqui alguns dos maiores produtores de espumantes do mundo, reconhecidos internacionalmente. Então, aqui vai outra dica. Se você for fazer festa, casamento, batizado, não tenha vergonha de servir espumante nacional, que inclusive é barato. Vergonha é servir espumante argentino, que é mais caro, aqui no Brasil. E não caia na enganação da importadora só porque ela está neste ou naquele bairro rico. Você pode estar comprando gato por lebre e bebendo mico.
CURIOSIDADE:
Até o início do século passado, a maioria da produção de espumantes era doce. A tendência do brut, do seco, é relativamente nova se comparada com a idade da bebida, que surgiu no século 13. O brut apareceu em 1846 e foram os ingleses que incentivaram essa produção. Eles pediram aos produtores que criassem um espumante com pouco açúcar (mas açúcar da própria uva!). A França e os demais países europeus continuaram, por algum tempo, consumindo a bebida doce. Somente no século 20 é que o brut se consolidou.
Uma dica para os catarinenses é experimentar os espumantes daqui. São excelentes!
BONS ESPUMANTES CATARINENSES:
Villaggio Grando – Produzido em Água Doce, já venceu vários prêmios nacionais e internacionais. O Brut Rosé foi escolhido o melhor do Brasil, este ano, na Expovinis, a maior feira de vinhos das Américas.
Santa Augusta – Produzido em Videira. O Moscatel é reconhecido na Europa como um dos melhores do mundo. O brut é feito com várias uvas, foge ao padrão tradicional e é bem jovial.
Áquila – Produzido pela San Michele, em Rodeio. Elaborado pelo método tradicional (ou champenoise) foi escolhido como o melhor espumante servido no Brinda Brasil 2013, o maior encontro de produtores brasileiros de espumantes, realizado em Brasília.
Joaquim – Produzido pela Villa Francioni, em São Joaquim. O brut e o brut rosé são excelentes. São mais encorpados e acompanham de churrasco a frutos do mar.
Sanjo – Destaque para o Maestrale em suas três formas: brut, rose e demi-sec. Essa cooperativa fica em São Joaquim e é uma das referências brasileiras em inovação.
Kranz – De Treze Tílias. Muito bem representado com o moscatel. É um espumante mais simples, que figura bem com entradas e happy hour.
ENTENDA AS DIFERENÇAS:
Champanhe – É somente a bebida feita na França, na região de Champanhe, cuja principal cidade é Reims.
Espumante – É o nome que se dá a bebida feita igualzinha à champanhe no Novo Mundo: Brasil, EUA, Argentina, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia, etc.
Cava – É a champanhe espanhola, feita na região de Penedés, perto de Barcelona, utilizando principalmente a uva macabeo. O espumante mais vendido em todo o mundo não é o champanhe e sim a cava espanhola.
Prosecco – É o nome de um espumante feito na Itália, principalmente na região do Veneto, onde ficam as cidades de Verona e Veneza.
Brut – É o champanhe ou espumante que tem uma pequena quantidade de açúcar natural, geralmente é mais seco.
Démi sec – É mais doce, tem um maior percentual de açúcar e muitas vezes tem açúcar adicionado à bebida.
Nature ou extra-brut – Esses são praticamente sem açúcar e muito secos.
Rosés – São feitos com parte de uvas tintas com a casca ficando um breve tempo em contato com o suco da uva, o suficiente para colorir a bebida. Alguns usam merlot também para fazer os espumantes rosés, mas geralmente a predominância é da uva pinot noir.
Perlage – São as bolinhas, o gás carbônico da segunda fermentação do vinho, que é feita na garrafa. Pelo perlage, é possível identificar a qualidade de um espumante. Quanto mais bolinhas apresentar, mais finas elas forem e mais tempo elas persistirem subindo dentro da taça, melhor é o espumante.
FELIZ 2014!
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