Coluna Brinda Brasil – É hora de comer raclette!
Coluna Brinda Brasil - É hora de comer raclette!
Por Rodrigo Leitão
Raclette é um prato quente, pra servir no inverno, com base de batata assada ou cozida, muito recheio gostoso, que engorda muito, mas que a gente não costuma comer em restaurante. A raclette (no feminino mesmo, porque no masculino raclette é nome de um queijo suíço) é um prato típico da Suíça e surgiu na mesma época da fondue, há 400 anos, por causa daquela história do congelamento da produção de queijos, mas não no mesmo local. A raclette surgiu em Valais e a fondue, em Jura/Savoie. A diferença é que no caso da fondue, eles derretiam o queijo e no da raclette, eles raspavam o queijo congelado, que derretia sobre o pão ou batata.
A receita original da raclette era feita com o queijo homônimo. Eles raspavam o queijo aquecido sobre os pratos. O termo deriva do francês "racler", que significa raspar. Hoje já se faz com vários tipos de queijo. A receita sofreu variações em todo o mundo. Mas a preferência é pelos queijos do tipo suíço: gruyére, emmental, maasdam, tilsit, fontina… Mas já vi usando estepe, gouda, mussarela. O importante já não é mais o queijo usado e sim a forma de fazer. Os acompanhamentos originais são batata, pickles e frios mais gordurosos. É um prato para ser saboreado com amigos, em família, todo mundo em torno da mesa e, talvez por isso, não seja muito comum em restaurantes.
No começo, eles chamavam de queijo assado e raspado. Os suíços espetavam o queijo frio ou congelado num garfo grande e punham junto ao fogo para derreter. Quando a parte de cima derretia, o queijo era raspado e passado no pão ou na batata. Hoje já existe aparelho para fazer a raclette. Ou com rechaud ou elétrico. O meu é elétrico! Ele é redondo, mais ou menos do tamanho de uma fôrma de pizza redonda grande. Sobre ele, a gente põe as batatas previamente cozidas, de preferência com casca. No caso do meu aparelho, são quatro pás (ou frigideirinhas!) do tamanho de um pires de xícara de chá cada uma. Então você corta a batata ao meio, põe no prato e enche essa pá com queijo e frios gordurosos como salaminho, presunto, e deixa o queijo derreter. Aí você cobre a batata, já quente, e come com garfo e faca. O menor aparelho é para quatro pessoas o que já define que é um prato para reunir gente.
DICA DE HARMONIZAÇÃO:
O mais apropriado é acompanhar a raclette com vinho tinto, que facilita a digestão dessa comida. Pode ser um vinho mais frutado, sem madeira, porque apesar dos presuntos e salaminhos, o que vai mandar é o queijo. Como geralmente são queijos médios, merlot a 11% de álcool, pinot noir, cabernet franc, grenache, um vinho do norte do Rhône ou um touriga nacional português, jovem e sem madeira, também fica bom. Tempranillo crianza com pouca madeira é outra boa opção. Enfim, são os mesmos vinhos da fondue de queijo. Os suíços preferem o vinho branco de fendant. Essa uva também é conhecida como chasselas. É da região do Valais, que é onde surgiu o prato. É um vinho fresco, de boa acidez e recomendado também para happy hour, entradas, peixes e frutos do mar. Mas é muito difícil encontrar deste vinho aqui no Brasil. Eu já vi em lojas da internet por R$ 55. Lá na Europa custa 10 euros.
ONDE COMER:
Não conheço nenhum restaurante que sirva raclette como opção de cardápio. Mas sei que em São Paulo várias casas especializadas em comida dos alpes suíços oferecem esse prato. Se você estiver sozinho ou a dois, o Le Jardin Suisse (Rua Heinrich Hertz, 20 – Capital – SP. Telelefone: (11) 5505-2438 ou (11) 5505-3110), serve porções individuais de raclette. A fatia custa R$ 20.
Rodrigo Leitão, especialista em enogastronomia.
O colunista dedica-se há três décadas ao jornalismo e já passou por redações como O Globo, Jornal de Brasília, TV Brasília, TV Band e Rádio Band News FM, em Brasília onde atua no segmento de comunicação e eventos. Rodrigo Leitão organiza anualmente o Brinda Brasil – Salão do Espumante de Brasília, o maior encontro nacional exclusivamente com produtores de espumantes. Ele já atuou nas áreas de Economia, Política, Internacional, Cultura e Saúde, onde conquistou vários prêmios.
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