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Coluna Brinda Brasil – O dia em que um Lovara bateu vinhos chilenos

Coluna Brinda Brasil - O dia em que um Lovara bateu vinhos chilenos

Éder Luiz

Éder Luiz

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Por Rodrigo Leitão

Vou contar pra vocês uma história muito interessante que eu vivi quando fiz o curso de Degustação, Avaliação, Serviço e História do Vinho na Associação Brasileira de Sommeliers, a ABS Brasília. A aula era de provas, deveríamos identificar algumas características dos vinhos e o professor Antonio Matoso Filho avisou que nós iríamos provar três vinhos: um nacional e dois chilenos da Bodega Corpoa, sendo estes dois vinhos reserva, com graduação alcoólica de 14%, portanto vinhos para a guarda. Um era pinot noir e o outro, shiraz. Ambos da safra 2008. A degustação seria às cegas e nós deveríamos dizer qual era o melhor vinho.

Veio o primeiro, o excelente pinot noir e o terceiro foi o shiraz. Esses vinhos têm nome de Rio Bio, porque são feitos no Rio Bio Valley, uma das regiões mais devastadas pelo terremoto que atingiu o Chile em 2009. Todos dois são vendidos no Brasil e custam na faixa de R$ 48. Também vende pela internet, é só entrar no google e digitar Rio Bio reserva 2008 e o nome das uvas que você encontra fácil. São vinhos redondos, macios e com grande potencial de guarda. Estão no auge agora!

Quando o Matoso serviu o segundo vinho (lembrando que nós não sabíamos qual era cada um deles), eu achei diferente. Daí a uns dois minutos, os 17 alunos do curso começaram a falar que aquele vinho era melhor que o primeiro. Ao terminarmos o terceiro, todos nós tivemos a mesma reação: voltamos ao segundo. Foi unanimidade! Aquele segundo vinho era, pelo menos para nós, superior aos outros dois. Esses vinhos foram degustados às cegas e a segunda taça surpreendeu todo mundo.

Aí veio a revelação, estávamos tomando Lovara Cabernet Sauvignon 2007. Um vinho brasileiro. A Lovara é uma vinícola associada à Miolo e o vinho é feito pelo próprio enólogo da família, o Adriano Miolo. E custa R$ 25. É um vinho que tá no auge, ótimo pra acompanhar um filé ou um bife de chorizo. E eu gostei, não vi o rótulo, não sabia o que era, e falei abertamente que tinha gostado. Mas duvido que alguém, sabendo o que estava tomando naquela noite, aprovasse o produto nacional. Por isso, e por já ter visto e saber de outras histórias similares, ainda prefiro as degustações às cegas, com notas dadas assim que se prova o vinho, para não cometer injustiças e nem dar tempo para negociações.

Harmonização:

Já encontrei este vinho nos supermercados de Joaçaba. A melhor harmonização para ele está em molhos com toques adocicados, porque isso vai ressaltar os aromas do vinho. Mas como na região há uma grande tradição na culinária italiana, sugiro também como acompanhamento de  brodos, sopas, cremes e pizzas. Além de um macarrão à bolonhesa e queijos do tipo o Camembert ou Gouda.

Rodrigo Leitão, especialista em enogastronomia.

O colunista dedica-se há três décadas ao jornalismo e já passou por redações como O Globo, Jornal de Brasília, TV Brasília, TV Band e Rádio Band News FM, em Brasília onde atua no segmento de comunicação e eventos. Rodrigo Leitão organiza anualmente o Brinda Brasil – Salão do Espumante de Brasília, o maior encontro nacional exclusivamente com produtores de espumantes. Ele já atuou nas áreas de Economia, Política, Internacional, Cultura e Saúde, onde conquistou vários prêmios.

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