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Moscato di Siracusa
Geral

Coluna Brinda Brasil – Vinhos libaneses, pérolas do Mediterrâneo

Por Rodrigo Leitão Há algumas décadas eu experimentei um vinho libanês, no Iraque, mas não achei lá essas coisas.

Éder Luiz

Éder Luiz

Moscato di Siracusa

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Por Rodrigo Leitão

Há algumas décadas eu experimentei um vinho libanês, no Iraque, mas não achei lá essas coisas. Naquela época, também, eu não tinha o conhecimento que tenho hoje sobre produção, uva, técnicas de degustação, etc. Era jovem, tinha 24 anos, mas lembro que não me afeiçoei ao vinho. Há alguns anos, conversando com a chef Fátima Hamú, dona do restaurante Lagash (na 308 Norte, em Brasília), fiquei sabendo que ela importava algumas garrafas da produção libanesa. Mas qual não foi minha surpresa quando cheguei no Lagash e vi na carta uma pérola do mediterrâneo: Conte de M Gran Cru, do Chateau Kefraya. É o mais nobre vinho libanês (e que isso não soe estranho aos seus ouvidos)!. O Líbano é um dos primeiros territórios no mundo a produzir vinhos. Lá era a Fenícia e foram os fenícios, por exemplo, que levaram as primeiras uvas para a Península Ibérica, mais precisamente para o sul de Portugal onde hoje está a Região de Setúbal. Isso há 4 ou 3 mil anos.

Foi a partir do Oriente Médio que os gregos primeiro, e os romanos depois, levaram essa bebida para a Europa. Nos últimos anos, o Líbano recuperou a condição de grande produtor de vinhos e adotou as mais modernas técnicas de produção seguindo a escola francesa.

Esse Conte de M foi criado em 1996 como vinho Premium e marcou o ressurgimento da produção libanesa. É um vinho caro feito com cortes das uvas Cabernet Sauvingnon, Shiraz e Mourvèdre. É frutado e de pouca acidez – é um grande vinho de guarda. O preço médio de uma garrafa dessas no Brasil é de R$ 300. Quem importa esse vinho para o Brasil é a Zahil.

Outra rótulo libanês possível de se encontrar no Brasil é o Chateau du Convent Ksara. A safra 1996 ganhou todas as degustações às cegas no Mundo. Esse é mais barato, custa R$ 150. Outros vinhos libaneses muito bons podem ser encontrados a um preço menor por aqui. Destaco o Reserve de Convente também do Chateau Ksara, por R$ 120 e o vinho de entrada da Kegfraya, o Les Bretèches du Chateau Kefraya, na faixa de R$ 70.

Olha, pra quem não quer ficar no tradicional europeu esses vinhos libaneses são muito interessantes. Eles têm o padrão bordalês, seguem a cartilha de Bordeuax, estão sendo produzidos a uma altitude de mil metros, na fronteira com a Síria e são vinhos redondos, frutados e ótimos para acompanhar os kaftas, michuês, quibes e cordeiros da cozinha árabe, além de uma boa costela ou picanha. Caldos com molhos fortes e cozidos mais temperados.

Rodrigo Leitão, especialista em enogastronomia.

O colunista dedica-se há três décadas ao jornalismo e já passou por redações como O Globo, Jornal de Brasília, TV Brasília, TV Band e Rádio Band News FM, em Brasília onde atua no segmento de comunicação e eventos. Rodrigo Leitão organiza anualmente o Brinda Brasil – Salão do Espumante de Brasília, o maior encontro nacional exclusivamente com produtores de espumantes. Ele já atuou nas áreas de Economia, Política, Internacional, Cultura e Saúde, onde conquistou vários prêmios.

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