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Moscato di Siracusa
Geral

Coluna Brinda Brasil – Você conhece vinho japonês?

Rodrigo Leitão Vinho branco japonês koshu é muito bom.

Éder Luiz

Éder Luiz

Moscato di Siracusa

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Rodrigo Leitão

Vinho branco japonês koshu é muito bom. O problema é o preço, estratosférico! Mas como os japoneses tiveram conhecimento da uva, uma fruta natural da Ásia Menor, da região do Cáucaso, da Pérsia, onde hoje estão, Iraque, Irã e Turquia? As descobertas mais recentes apontam para a produção de merlot há 7 mil anos, nos montes turcos. E como o Japão teria conhecido isso, antes de Marco Pólo ir à China, em 1.274, no século 13? A uva chegou ao Japão no século 8, nos anos 900, época em que se explorava a rota da seda na Ásia. Desde então, os japoneses sempre produziram vinho, mas sem tanta qualidade. A koshu foi plantada originalmente na região de Yamanashi, aos pés do Monte Fuji. A região muito fria e úmida proporcionou um ambiente ideal para essa uva. Mas apesar da umidade, do frio e da altitude, os vinhos têm uma agradável acidez.

O vinho branco japonês, produzido a partir da uva Koshu, autóctone de lá, surpreende. No nariz, boas frutas (banana, abacaxi, pêssego, laranja), quase nenhuma flor (mas lembra a de laranjeira). Na boca, uma explosão de aromas e paladar forte, com pêssego no final. Uma uva gastronômica, excelente para acompanhar frutos do mar e, principalmente, sushi e sashimi. Lembra muito os sauvignon blancs com chenin blanc de Bordeaux. Aliás, o francês Bernard Magrez (dono do maior número de vinícolas no mundo), do Chateau Pape-Clemant, é o sócio da vinícola japonesa Aruga nesse vinho Magrez Aruga Koshu 2007 (foto lá de cima), com uvas plantadas em Katsunuma, no Monte Fuji (foto ao lado). Ele tem apenas 10% de álcool, mas a guarda é de 6 anos. Esse passa breve período em barris de carvalho francês e é muito equilibrado. A acidez é alta (devido ao terroir), mas não incomoda e nem provoca salivação excessiva. É um vinho com presença e persistente.

O curioso do vinho koshu é o trabalho feito sobre uma uva rosada (foto), que se assemelha muito à produção de pinot noir para o champangne, aproveitando apenas a uva e eliminando a casca. O suco que resulta desse processo origina um vinho de cor amarelo pália e bem límpido.

A produção do vinho japonês de qualidade já conquistou o mundo. Hoje, ele é encontrado em quase todos os países consumidores, inclusive no Brasil. Aqui, o Magrez Aruga Koshu era importado pela Mistral e tem o exagerado preço de cerca de R$ 500. É um absurdo o preço cobrado aqui, porque são vinhos de U$ 20 a U$ 45 no Japão e nos Estados Unidos.

Apenas 15 famílias produzem vinhos de koshu no Japão, mas o investimento deles está crescendo. Como japonês é muito perfeccionista e entende de mercado, a associação dos produtores de vinho koshu (Koshu of Japan) criou uma estratégia de consumo para atrair os jovens. O resultado é que está aumentando a procura pelo vinho branco e a quantidade de wine bares naquele país.

E fora do Japão, esse tipo de vinho branco também está ganhando mercado. Desde 2008, o badalado restaurante japonês Umo, de Londres, inclui o Shizen 2007 Cuvée Denis Dubourdieu, feito com a uva koshu, na sua carta de vinhos. Nas lojas, em Londres, esse vinho custa 18 euros (R$ 62). Até o crítico norte-americano Robert Parker gostou e recomendou como vinho para sushi e sashimi.

Rodrigo Leitão, especialista em enogastronomia.

O colunista dedica-se há três décadas ao jornalismo e já passou por redações como O Globo, Jornal de Brasília, TV Brasília, TV Band e Rádio Band News FM, em Brasília onde atua no segmento de comunicação e eventos. Rodrigo Leitão organiza anualmente o Brinda Brasil – Salão do Espumante de Brasília, o maior encontro nacional exclusivamente com produtores de espumantes. Ele já atuou nas áreas de Economia, Política, Internacional, Cultura e Saúde, onde conquistou vários prêmios.

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