(Foto: Divulgação, Unochapecó)
A história da ocupação humana no Sul do Brasil acaba de ganhar um capítulo fascinante, escrito diretamente do Oeste de Santa Catarina. Uma pesquisa liderada pelo Centro de Memória do Oeste de Santa Catarina (CEOM), da Unochapecó, em parceria com arqueólogos internacionais, identificou que a presença humana na parte alta do Rio Uruguai existe há pelo menos 12 mil anos.
A descoberta ajuda a explicar as rotas de povoamento das Américas e a história ancestral da nossa região.
Ferramentas e testes no exterior
Durante as escavações às margens do Rio Uruguai, os pesquisadores encontraram diversas ferramentas de pedra lascada, como pontas de projétil (lanças e flechas), raspadores, lâminas e até restos de antigas fogueiras.
Para confirmar a idade exata dos achados, o CEOM enviou os vestígios para laboratórios de ponta na França, Itália e Estados Unidos, onde foram submetidos à técnica de datação por Carbono-14.
“Essas populações preferencialmente ficavam às margens de grandes rios, para facilitar o deslocamento, a comunicação e a sobrevivência, com água, caça e pesca abundantes”, explica a coordenadora do CEOM, Mirian Carbonera.
Em busca do DNA dos nossos ancestrais
O trabalho não parou nas pedras lascadas. Através de um convênio entre Brasil, Argentina e Itália, a equipe agora desenvolve pesquisas de paleogenética (DNA antigo) para reconstruir detalhes da vida e até a aparência física dessas populações ancestrais.
Segundo Micaela Ciervo, pesquisadora da Universidade de Pádua (Itália) que colabora com o projeto, a tecnologia atual permite investigar os processos migratórios e as misturas genéticas. “Em alguns casos, quando o DNA está bem preservado, é possível investigar aspectos do fenótipo dos indivíduos, como a cor dos olhos, dos cabelos e da pele”, detalha.
Um polo de preservação no interior
Fundado em 1987 para proteger bens ameaçados pela construção de hidrelétricas no Rio Uruguai, o CEOM guarda hoje um impressionante acervo com mais de 105 mil objetos arqueológicos. Todo o material fica disponível gratuitamente para a comunidade, pesquisadores e estudantes, reforçando o poder das universidades comunitárias (Acafe) na preservação da identidade cultural fora dos grandes centros do Estado.
Fonte: NSC e CEOM
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