Dono de caminhão envolvido em acidente com 16 mortes é condenado pela justiça
Dono de caminhão envolvido em acidente com 16 mortes é condenado pela justiça
Encerrou na madrugada desta sexta-feira (29) em Chapecó, o júri popular do proprietário do caminhão que provocou o segundo acidente na BR-282, em Descanso. Gilmar Turatto foi condenado a 18 anos de prisão. Ele vai responder em liberdade.
O caminhão, conduzido por Rosinei Ferrari, se envolveu no segundo acidente na noite de 9 de outubro de 2007, provocando a morte de 16 pessoas e deixando dezenas de feridos. Turatto respondeu pelos mesmos crimes que Ferrari, 16 homicídios e 21 crimes de lesão corporal. Em 2015, o motorista Rosinei Ferrari foi condenado a 21 anos de prisão e também responde em liberdade. Gilmar Turatto não comentou a sentença.
Júri
O Júri Popular iniciou na manhã da quinta-feira (28) no Fórum de Chapecó. A exemplo do que aconteceu no júri de Rosinei Ferrari, o primeiro a dar depoimento foi o perito do Instituto Geral de Perícias (IGP), responsável pela análise do caminhão, Luiz Maran. Ele reafirmou que o veículo possuía graves problemas nos freios, reparos improvisados, além do excesso de carga e respondeu a questionamentos do juiz que presidia a sessão, Jeferson Vieira, do promotor do caso, Moacir Dalmagro, e também dos Defensores Públicos que faziam a defesa de Turatto. Depois do perito, a esposa de Turatto também falou aos jurados, na condição de informante.
Turatto fala
Durante a sua fala, Gilmar Turatto contou que a família possuía um posto de combustíveis e três caminhões: um deles para abastecimento do posto e outros dois faziam fretes de Rio Brilhante (MS) para cidades do sul, transportando açúcar. A transportadora havia sido aberta no início de 2007 e Rosinei, que já trabalhava como frentista, passou a trabalhar para a transportadora. Além de Turatto, um gerente também fazia o controle dos fretes e dos reparos que eram necessários nos veículos.
Sobre as condições do caminhão, Turatto afirmou que os consertos eram feitos com frequência, sempre que os motoristas informavam que havia algum problema. “A cidade de Cascavel (sede da empresa) ficava praticamente no meio do itinerário dos caminhões, por isso geralmente os reparos eram feitos lá, sempre em oficinas especializadas. Mas quando os problemas surgiam no percurso, os consertos eram feitos onde eles estavam. Tudo que era informado, era mandado consertar”, disse.
No dia do acidente, Ferrari teria saído de Cascavel durante a tarde e no meio do caminho entrado em contato com Turatto avisando que o motor do caminhão estava aquecendo demais. “Ele parou em uma oficina e por volta das 18h30 recebi uma mensagem dele avisando que estava seguindo a viagem”, disse. Depois disso, ele só teve notícias do motorista ao ser avisado do acidente, por volta da 1h do dia 10. “Se eu soubesse de todos esses problemas, jamais teria deixado ele viajar”, disse Turatto em resposta ao questionamento dos Defensores Públicos.
Depois do acidente, a transportadora fechou e a família também não tem mais o posto de combustíveis. Hoje Turatto trabalha no campo. A sessão do júri continuou durante a tarde desta quinta, com a argumentação da acusação e defesa.
O acidente
O motorista Rosinei Ferrari conduzia o caminhão que se envolveu no 2º acidente registrado na BR-282 em Descanso, na noite de 9 de outubro de 2007. Equipes de socorro e das polícias trabalhavam no atendimento e resgate de vítimas de um acidente envolvendo um caminhão e um ônibus com agricultores que haviam batido e caído em um barranco. O trânsito estava interrompido quando nos dois sentidos quando o caminhão de Ferrari furou o bloqueio e atingiu parte das equipes de resgate, imprensa e populares que acompanhavam os trabalhos.
Fonte: RondaSC com informações da RedeComSC
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