Com posições firmes e embasadas, o Juiz da Vara Criminal de Joaçaba Marcio Umberto Bragaglia falou sobre temas polêmicos como o crime do aborto, ressocialização de apenados, pena de morte, embriaguez ao volante e demais temas relativos à Vara Criminal ao utilizar da Tribuna Popular em sessão da Câmara de Vereadores de Joaçaba de quarta-feira, dia 20. Atendendo a um convite feito pelo vereador e advogado Éber Bundchen, Bragaglia apresentou dados referentes ao período em que está atuando em Joaçaba, onde chegou em março de 2012.
“Temos uma das melhores Comarcas em termos de jurisdição criminal da região, se não do Estado. Digo isso comparando Joaçaba com outras comarcas. O número de processos criminais aqui é significativamente menor. Isso se deve a comunidade que é ordeira e tem pouca tolerância com crimes violentos, ao trabalho das Polícias, do Judiciário e do Ministério Público”. Bragaglia relatou que desde que aqui chegou já julgou 1800 processos, que tem atuado com muito rigor e que praticamente não há processos acumulados na Vara Criminal. Afirmou ainda que tem tomado medidas duras em relação a casos de perturbação do sossego mediante ao número excessivo de reclamações que chegam ao Fórum. Lembrou que Joaçaba é uma das primeiras Comarcas a receber um Defensor Público que já está atuando na área Criminal e da Infância e Juventude, cujo serviço é voltado a pessoas carentes.
Bragaglia foi enfático ao afirmar que a comunidade deve estar atenta ao grande volume de ocorrências relacionadas à violência doméstica e de embriaguez ao volante, citando a necessidade de implementação de políticas públicas mais eficazes. Foi contundente ao mencionar sua posição em relação ao crime do aborto, considerado por ele como intolerável. “Enquanto Juiz, jamais daria uma ordem para interromper uma gravidez, mesmo que gerada por aborto ou que envolva criança anencéfala”. Ele também se posicionou favorável a pena de morte para casos gravíssimos e extremos.
Quanto ao Projeto ‘Reeducação do Imaginário’, implantado por ele no final de 2012 e que consiste em proporcionar a leitura de obras clássicas aos apenados do Presídio de Joaçaba em troca da redução da pena, Bragaglia afirmou que a iniciativa tem apresentado bons resultados. Segundo ele, as obras indicadas para a leitura relatam experiências humanas sobre a responsabilidade pessoal, a percepção da imortalidade da alma, a superação das situações difíceis pela busca de um sentido na vida, os valores morais e religiosos tradicionais e a redenção pelo arrependimento sincero e pela melhora progressiva da personalidade. Segundo ele, a redução da pena só se concretiza após a realização de uma entrevista com cada um dos apenados onde é possível comprovar a leitura e a compreensão da obra. “Salvando um em 50 já ficamos felizes”. O vereador Éber reiterou que é notório o crescimento psicológico e da alma dos presidiários que o projeto deve ser copiado pelos demais juízes.
Quanto ao Presídio Regional de Joaçaba, disse o Juiz que existem atualmente 150 presos, sendo 130 homens e 20 mulheres. Que a situação no momento é de tranquilidade. Ele elogiou o trabalho de gestão no Presídio bem como o trabalho do Conselho da Comunidade, presidido por Jorge Dresch. Falou sobre como funciona o trabalho dos apenados e que empresas interessadas em recrutar a mão de obra dos presidiários devem procurar pelo Conselho ou pelo diretor do Presídio. Bragaglia também fez um agradecimento a sua equipe de trabalho a quem elogiou pelo bom andamento das ações da Vara Criminal.
Nos siga no
Google News