(Foto: Redes sociais e Patrick Rodrigues, NSC Total)
O clima político entre o Governo de Santa Catarina e o Palácio do Planalto esquentou neste fim de semana. O governo estadual informou, neste sábado (27), que vai protocolar na próxima segunda-feira (29) uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O motivo da ação foram as declarações feitas pelo presidente na sexta-feira (26), durante um evento no estaleiro Detroit Brasil, em Itajaí. A gestão estadual classificou a fala de Lula como xenofóbica e discriminatória.
Durante o seu discurso no Litoral Norte catarinense, Lula criticou a ideia de superioridade e citou o racismo e a “hegemonia branca”.
“Vocês não podem permitir que prevaleça em Santa Catarina o racismo. Não podem permitir que aqui em Santa Catarina as pessoas sejam tomadas da cisma da grandeza, porque esse estado é muito rico, não é pobre […] Não tem o cara porque é branco é melhor do que o que é negro. O cara que é nordestino é pior do que do Sul do país. Que história que é essa? A gente não aceita. Hitler tentou fazer isso e acabou do jeito que acabou. A gente não pode permitir essa ideia da hegemonia branca sobre o restante do país”, declarou o presidente.
Para o Governo de Santa Catarina, a fala insinuou que os catarinenses são racistas e se consideram superiores aos moradores de outras regiões do Brasil. Em nota enviada à imprensa, o governador Jorginho Mello (PL) rebateu duramente as declarações.
“Uma coisa é o presidente me criticar ou vir a Santa Catarina dizer coisas que não condizem com a realidade. Isso faz parte do debate político e nós respondemos com fatos. Outra coisa, muito diferente, é chamar o povo catarinense de racista. Isso é criminoso, preconceituoso e ele precisa responder por isso”, afirmou o governador.
No mesmo discurso em Itajaí, o presidente Lula também citou a política de cotas raciais, afirmando que “algumas pessoas não gostam de nós por conta da política de cota”, referindo-se à presença de negros, indígenas e quilombolas nas universidades públicas.
O tema é sensível em Santa Catarina. No início deste ano, o governador Jorginho Mello chegou a sancionar uma lei, aprovada pela Assembleia Legislativa (Alesc), que acabava com as cotas raciais nas universidades estaduais catarinenses. A medida gerou forte reação do Ministério da Igualdade Racial e, em abril, a lei foi derrubada por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Até o momento, o Palácio do Planalto não se manifestou oficialmente sobre a representação que o Governo de SC pretende protocolar na PGR.
Informações: NSC
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