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Guerra interna no STF: Gilmar exige acesso a celular de Vorcaro e Mendonça retira sigilo de mais 39 processos
Antônio Augusto/STF
Política

Guerra interna no STF: Gilmar exige acesso a celular de Vorcaro e Mendonça retira sigilo de mais 39 processos

Gilmar Mendes exige acesso integral ao celular de Vorcaro. André Mendonça retira sigilo de 39 inquéritos antes de julgamento no STF.

Pedro Silva

Pedro Silva

Guerra interna no STF: Gilmar exige acesso a celular de Vorcaro e Mendonça retira sigilo de mais 39 processos
Antônio Augusto/STF

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A disputa interna no Supremo Tribunal Federal (STF) em torno dos desdobramentos da Operação Compliance Zero e do antigo Banco Master ganhou novos capítulos de forte tensão neste sábado (12). O decano da Corte, ministro Gilmar Mendes, encaminhou um ofício de urgência ao presidente do tribunal, Edson Fachin, exigindo o acesso integral dos ministros aos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro antes do julgamento marcado para a próxima terça-feira (15).

A movimentação do decano ocorre poucas horas após o relator do caso, ministro André Mendonça, ter determinado a derrubada do segredo de Justiça de 39 processos relacionados a políticos e empresários.

Gilmar cobra equidade e sugere que Fachin assuma o caso

No documento enviado a Fachin, Gilmar Mendes reforçou a petição apresentada anteriormente por Cristiano Zanin e defendeu que, caso o relator não compartilhe a íntegra da mídia, a Polícia Federal seja acionada diretamente para fornecer cópias aos gabinetes. O julgamento de terça-feira vai analisar a validade de um relatório da PF que apontou mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, avaliando se há elementos para uma investigação formal contra o magistrado.

Gilmar argumentou que a manutenção da cópia apenas no gabinete de Mendonça compromete a paridade interna da Corte e que o colegiado não pode julgar com base em “sínteses parciais”. O decano defendeu ainda que Fachin assuma a condução unificada de todos os processos do caso Master para evitar decisões contraditórias.

Alexandre de Moraes também criticou a condução de Mendonça, acusando o relator de realizar um levantamento “seletivo e direcionado” do sigilo para favorecer determinado grupo político.

Mendonça justifica proteção de dados e libera 39 procedimentos

Por outro lado, André Mendonça rebateu as acusações de seletividade afirmando que disponibilizou tudo o que é pertinente ao julgamento do dia 15. O relator explicou que a manutenção do segredo em determinados trechos visou proteger dados bancários e fiscais de terceiros e preservar investigações em andamento. Sobre a cópia do celular de Vorcaro, Mendonça alegou que mantém apenas um disco rígido criptografado e lacrado como “contraprova”, sem nunca ter manuseado o material, cuja mídia física original permanece sob custódia da PF.

Para responder às pressões da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da presidência do STF, Mendonça liberou o acesso público a 39 procedimentos. A lista inclui inquéritos envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o ex-ministro Jaques Wagner (PT-BA) e a investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, que tem como alvos o senador Flávio Bolsonaro e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

A expectativa no STF é de um julgamento extremamente tenso no Plenário na próxima terça-feira (15), quando os magistrados votarão as preliminares de nulidade do relatório da PF e a extensão do acesso às provas.

Fonte: Agência Brasil


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