Idosos ao volante: como saber a hora certa de parar de dirigir com segurança?
Especialistas alertam que a decisão não deve se basear apenas na idade, mas na observação de sinais de alerta.
A decisão de quando uma pessoa idosa deve deixar de dirigir é um desafio delicado que muitas famílias enfrentam. Mais do que uma questão de idade cronológica, a permanência ao volante exige uma avaliação cuidadosa das capacidades físicas e cognitivas, buscando sempre o equilíbrio entre a segurança no trânsito e a independência do motorista.
Conforme aponta o médico geriatra Milton Crenitte, em artigo para o Estadão, o ato de dirigir é uma atividade complexa. Ela demanda atenção contínua, boa memória, visão e audição aguçadas, reflexos rápidos e força muscular. Com o avanço da idade ou o surgimento de condições como a degeneração da visão ou demências em estágios iniciais, essas habilidades essenciais podem ser comprometidas.
Sinais de alerta no trânsito
Muitas vezes, a avaliação periódica obrigatória para a renovação da CNH não é suficiente para captar declínios sutis na percepção ou no julgamento do idoso. Por isso, a observação constante da família é fundamental. É preciso ficar atento aos seguintes sinais:
- Perder-se em trajetos conhecidos e rotineiros;
- Apresentar dificuldade para interpretar placas e sinalizações de trânsito;
- Mudanças bruscas no padrão de condução;
- Envolver-se em colisões frequentes ou pequenos acidentes (como arranhões na lataria);
- Aumento repentino e injustificado no número de multas;
- Relatos de insegurança por parte de passageiros que andam no veículo;
- Erros frequentes observados por terceiros.
O desafio de manter a autonomia sem abrir mão da segurança
Retirar as chaves de um idoso de forma abrupta pode trazer consequências negativas graves, como o aumento do risco de isolamento social, dificuldade de locomoção para consultas e lazer, e até mesmo quadros de depressão. Para muitas pessoas, o carro é o maior símbolo de sua liberdade e participação na sociedade.
A recomendação médica é que, sempre que possível, a transição seja feita de forma gradual e planejada. Antes de interromper totalmente a direção, as famílias podem sugerir medidas como evitar trajetos noturnos, rodovias movimentadas ou rotas muito complexas.
Além disso, é essencial construir e apresentar alternativas viáveis antes que a parada definitiva seja a única opção. Organizar uma rede de apoio familiar para oferecer caronas e familiarizar o idoso com aplicativos de transporte e táxis são passos importantes para que eles sejam vistos como aliados, e não como uma perda. Dessa forma, o carro pode até sair da garagem, mas o direito de ir e vir com dignidade permanece garantido.
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