Menu
Tomaz Silva/Agência Brasil
Brasil e Mundo

Indústria defende energia nuclear como estratégia para a soberania e autonomia do Brasil

Especialistas apontam que o domínio da energia nuclear e do ciclo do urânio é fundamental para a soberania e autonomia energética do Brasil.

Pedro Silva

Pedro Silva

Tomaz Silva/Agência Brasil

Compartilhe:

O desenvolvimento da energia nuclear é estratégico para o Brasil alcançar autonomia energética e soberania nacional, especialmente em um momento em que as economias globais precisam de fontes estáveis de energia e o cenário geopolítico causa turbulência nas cadeias de petróleo e gás natural.

A opinião é defendida por especialistas que participaram nesta segunda-feira (23) do Nuclear Summit, encontro sobre o desenvolvimento da energia nuclear realizado na Casa Firjan, no Rio de Janeiro, pela Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan).

O professor de relações internacionais Júlio César Rodriguez, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), considera que o Brasil deve investir na energia nuclear pelo caráter escalável dessa fonte energética. “A energia nuclear é uma fonte chave para o Brasil ter autonomia energética e tecnológica. Dominando o processo todo, da extração ao enriquecimento, estamos jogando em um nível de desenvolvimento industrial dos atores mais importantes do mundo”, sustenta.

O momento certo para o setor

O presidente da Abdan, Celso Cunha, elenca que a energia nuclear é limpa, altamente eficiente, tecnológica e gera energia em um espaço muito pequeno. Para Cunha, a conjuntura ambiental e geopolítica reafirma as vantagens do setor.

Ele reconhece que o Brasil tem muitas fontes renováveis (eólica, solar e hidrelétrica), mas ressalta a vantagem de a energia nuclear ter fornecimento constante, não dependendo de fatores climáticos. “Podemos ganhar muito dinheiro vendendo combustível. Nada de vender minério in natura, isso não traz valor agregado. Chegou a hora do nuclear”, defende.

Apesar de ser considerada pela indústria como energia limpa, a fonte atrai preocupação de ambientalistas a respeito dos resíduos gerados, que precisam ser armazenados de forma segura. No Brasil, a Comissão Nacional de Energia Nuclear trabalha na definição de um reservatório definitivo para as pastilhas utilizadas de urânio.

O ciclo do urânio e o futuro de Angra 3

O ciclo do urânio é monopólio do Estado. A estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) opera a única mina do mineral no país, na Bahia, e o enriquecimento é feito no Rio de Janeiro. A ideia do setor agora é trazer a infraestrutura de conversão (etapa fundamental do ciclo) para dentro do Brasil.

Atualmente, o país tem duas usinas em operação, Angra 1 e Angra 2, com capacidade de abastecer uma cidade como Belo Horizonte (2,3 milhões de habitantes). Já a usina Angra 3 está com a construção interrompida. A obra parada custa cerca de R$ 1 bilhão por ano ao país.

Segundo o BNDES, o custo de abandonar Angra 3 em definitivo pode chegar a R$ 26 bilhões — valor que ultrapassa o necessário para a conclusão do empreendimento, estimado em R$ 24 bilhões. A decisão de seguir com a obra cabe ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

Transição energética

Para a consultora técnica Regina Fernandes, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a fonte nuclear ganha protagonismo no compromisso de diminuir a dependência de combustíveis poluidores. O próprio governo brasileiro anunciou recentemente a adesão à Declaração para Triplicar a Energia Nuclear até 2050 no mundo.

Fonte: Agência Brasil


Compartilhe: