O preço pago aos produtores rurais pelos laticínios na aquisição de leite subiu mais uma vez, impulsionado pela redução na oferta em razão do inverno. A produção de leite continua sendo uma das mais rentáveis atividades agropecuárias de Santa Catarina, neste ano. Os valores de referência dessa matéria-prima, calculados pelo Conselho Paritário Produtor/Indústria de Leite do Estado (Conseleite), aumentaram mais 1,8% para este mês de julho, ampliando os ganhos dos produtores rurais. De acordo com o Conseleite, o valor de referência para o leite padrão subiu, neste mês, para R$ 0,8924 o litro, mas, o mercado já está pagando mais de um real pelo litro dessa matéria-prima. É o caso da Coopercentral Aurora Alimentos, que processa 1 milhão e 500 mil litros por dia e está pagando R$ 1,07.
O produtor Itamar Parizzi, na localidade São Braz, produz ao dia 1.750 litros, no sistema de confinamento. Segundo ele, a chuva e frio reduzem a produção de quem não usa este sistema, mas para o confinamento há até um acréscimo na produção. “Tem gente que teve uma quebra de 20% na produção. Isso por que antes do frio intenso, que teve até formação de geada e neve, tiveram prejuízo. Mas o mercado no último ano reagiu. Na minha propriedade consigo um bom preço pelo que produzo todos os dias. Em média recebo do laticínio R$ 1,00 e temos que comemorar”, diz. Ainda de acordo com o produtor o preço pago nos estado de São Paulo e o Paraná nesta época do ano chega até R$ 1,50, devido a demanda que cresce com a chegada do frio intenso. “A gente acredita que o preço pago pode chegar até R$ 1,10, mas depende dos laticínios”, comentou.
Aos animais na propriedade de Itamar Parizzi são das raças Holandesa e Jersey que tem o melhor rendimento na produção leiteira. Para Itamar, o bom momento vivido pelo setor no estado na esta na diminuição das impostações e também uma quebra na produção de países como a Nova Zelândia. “Está bom por que o Brasil não está importando leite em pó da Argentina e Uruguai. Isso já temos que comemorar”, enfatiza.
Produção catarinense
A evolução dos valores de referência calculados pelo Conseleite expressa essa realidade do mercado. O preço de referência do leite padrão que estava em R$ 0,8759 em junho, considerado o produto apanhado nas propriedades rurais e com Funrural incluso, foi projetado para R$ 0,8924 em julho.
Na segunda quinzena de agosto, o Conselho volta a se reunir para anunciar os números definitivos de julho e a nova projeção para o mês seguinte. Embora tenha esses valores como referência negocial, o mercado – como de praxe – está praticando preços superiores a um real. As indústrias de processamento de leite estão pagando pela qualidade, o que representa até 15% a mais nos ganhos do pecuarista. Por isso, o produto acima do padrão tem maior valor de referência, ou seja, de R$ 1,0263.
Santa Catarina é o quinto produtor nacional, o Estado gera 2,2 bilhões de litros/ano. Praticamente, todos os estabelecimentos agropecuários produzem leite, o que gera renda mensal às famílias rurais e contribui para o controle do êxodo rural. O oeste catarinense responde por 73% da produção. O dirigente realça a crescente expressão social e econômica da cadeia produtiva do leite. A indústria de leite tem capacidade instalada para processar 10 milhões de litros/dia, mas, os 80.000 produtores de leite geram 6 milhões de litros/dia.
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