Mais de 11% da população hervalense usa antidepressivos
O uso de medicamentos antidepressivos e ansiolíticos vem se tornando abusivo nos últimos tempos.
O uso de medicamentos antidepressivos e ansiolíticos vem se tornando abusivo nos últimos tempos. Em decorrência disso, o número de pessoas que se sentem dependente desses medicamentos também cresce. Observando esse fato, foi desenvolvido pelos funcionários Elizangela Schmidt, Mariangela Casanova de Oliveira, Rodrigo Toledo e Thais Burtuli, um trabalho com o objetivo de avaliar o uso dos medicamentos antidepressivos e ansiolíticos através do Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade de Herval d´Oeste.
As informações presentes na Farmácia Básica do município, permitiram a identificação de 2.417 indivíduos usuários de antidepressivos e/ou ansiolíticos, totalizando 11,38% da população hervalense. Foi verificado o uso por 1.729 mulheres e 688 homens. Este achado é atribuído em outros trabalhos pelo histórico de maior utilização dos serviços de saúde pelo sexo feminino, e a hipótese de uma maior predisposição aos transtornos de ansiedade, depressão e vulnerabilidade aos problemas sociais, econômicos e familiares.
Observou-se que 53,21% utilizavam antidepressivos isoladamente, enquanto que 18,74% consumiram apenas benzodiazepínicos e 28,05% estavam em tratamento com ambas as classes de psicotrópicos. O medicamento antidepressivo mais utilizado foi a Fluoxetina por 35,09% dos indivíduos, seguida da Amitriptilina com 30,48%, em terceiro lugar está a Paroxetina 12,27%. Nos tratamentos com ansiolíticos, foi verificado o predomínio do Clonazepam, seguido pelo Diazepam e Bromazepam com 65,2%, 21,09% e 13,71% desta classe de medicação, respectivamente.
Ao entrevistar os indivíduos que receberam medicação pelo município, foi verificado predomínio no tempo de 1 a 5 anos de uso deste tipo de medicação (52%), ressaltando o aparecimento de pessoas em tratamento há mais de 15 anos (8%). A forma de uso dos entrevistados estava conforme a prescrição médica pela maioria das pessoas, no entanto, foi encontrada dificuldade por parte de algumas em relatar precisamente seu diagnóstico para início do tratamento.
O sintoma mais freqüente para a busca médica foi a insônia, seguido pela tristeza e sintomas físicos como dores no corpo, na coluna e estômago, bem como a irritabilidade, o choro fácil, a ansiedade, a baixa autoestima e o desânimo. Outros sintomas como pesadelos, isolamento social, sensação de esgotamento, mal estar inespecífico, luto e outros sintomas foram relatados por uma minoria dos entrevistados.
Uma sensação de dependência pela medicação foi informada pela maioria das pessoas, no entanto, as expectativas futuras em relação ao uso de medicação pela maioria dos interrogados foi desejo de cessação do consumo, enquanto o restante sentia insegurança em relação ao abandono da medicação ou está sugerindo satisfação com o estado atual.
Este trabalho teve relevância para o município de Herval d´Oeste, uma vez que foi possível fazer um perfil dos usuários de medicação controlada, dispensada pela Farmácia Básica, bem como, perceber a alta dependência a estes medicamentos, sendo que não são aplicados tratamentos alternativos para potencializar o efeito dessas drogas e chegar a um resultado melhor. Assim está sendo proposto a orientação por meio da atividade física, terapias complementares, psicoterapia, terapias de grupo, entre outros, com objetivo de melhorar os resultados e consequentemente diminuir o uso de medicamentos controlados, por muitas vezes é esquecida, e se sabe o efeito benéfico que pode ter na busca por bem estar e qualidade de vida.
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