Mulher é presa 15 anos depois de encomendar a morte de desafeto
Mulher é presa 15 anos depois de encomendar a morte de desafeto
Na manhã desta terça-feira (11) a Policia Civil de Campos Novos efetuou a prisão de Alzira das Graças Fagundes, acusada de envolvimento na morte de Jairo Granzotto, em 28 de julho do ano de 1999 no mesmo município. Segundo informações, o crime teve como principal motivo vingança, já que consta nos autos do processo que Jairo era suspeito do assassinato o irmão de Alzira, conhecido como Francisco Artur Fagundes. Durante os 15 anos que se seguiram Alzira foi condenada, mas recorreu da sentença e estava em liberdade, sendo cumprido o Mandado de Prisão após nova decisão da justiça.
Também ao longo dos anos a justiça julgou o caso de Jairo e o considerou inocente pela morte do irmão da acusada. Segundo o processo, Alzira pagou R$ 20 mil a dois homens para que matassem o suposto assassino do irmão, que foi executado a tiros. Alzira foi encaminhada ao presídio regional de Joaçaba, onde ficará presa.
Entenda o caso
Os autos do processo, disponíveis para consulta no portal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, detalham como o crime aconteceu e qual a participação de casa envolvido. Leia abaixo:
Inconformada com o assassinato de seu irmão Francisco Artur Fagundes, Alzira das Graças Fagundes, como forma de vingança, resolveu encomendar, mediante promessa de recompensa, a morte do suposto autor do delito, Jairo Granzotto.
Alzira Fagundes procurou o denunciado Edvaldo Nunes de Oliveira, conhecido pela alcunha de "Mato Grosso" e narrou-lhe a sua pretensão de eliminar a vida de Jairo Granzotto, indagando-lhe se não sabia de alguém que pudesse fazer o serviço, pelo qual estava disposta a pagar até R$ 20.000,00. "Mato Grosso", pois, na qualidade de intermediário responsável por encontrar o executor da encomenda, procurou o denunciado João Carlos dos Santos, vulgo "Teixeira" e propôs-lhe a oferta de Alzira Fagundes. "Teixeira" aceitou a proposta, ultimando os detalhes com a própria Alzira Fagundes, a qual lhe pagaria os R$ 20.000,00, assim que Jairo Granzotto aparecesse morto.
Dias antes do crime, "Teixeira" pediu o auxílio do denunciado João Edizon, velho conhecido seu. Ambos acordaram a execução do delito, pelo qual João Edizon receberia parte do dinheiro. Premeditaram que "Teixeira", parente e amigo de Jairo, iria convidá-lo para um passeio de carro, levando-o para um local retirado da cidade, a fim de que pudessem matá-lo, através de disparos de arma de fogo, sem ter a ação descoberta por outrem. Combinaram, ainda, que cada qual forjaria um álibi para si.
Desta forma, na noite de 28 de julho de 1999, a vítima Jairo Granzotto saiu de uma Lanchonete, onde esteve até as 22h20, aproximadamente. Nas adjacências da Praça Lauro Muller, no centro dessa cidade, encontrou com "Mato Grosso" e ambos passaram a caminhar juntos. Logo em seguida, ao lado dos dois parou um automóvel dirigido pelo denunciado "Teixeira", no interior do qual estava também João Edizon. "Teixeira" aproveitou-se do seu bom relacionamento com o ofendido e convidou-o para uma volta de carro. Mordida a isca, sem desconfiar de nada, Jairo Granzotto adentrou espontaneamente no carro, para uma viagem sem volta, juntamente com "Teixeira" e João Edizon. "Mato Grosso" não ingressou no veículo e, ao que parece, não sabia que Jairo Granzotto seria assassinado naquela noite, embora pudesse desconfiar.
Assim foi que, pouco depois, em local ermo, na BR 470, neste município, longe dos olhos de qualquer eventual testemunha, conforme previamente combinado, o denunciado João Edizon, de súbito e sorrateiramente, com um revólver ou pistola, efetuou quatro disparos que acertaram a cabeça da vítima Jairo Granzotto…
Muito provavelmente o primeiro tiro atingiu a região vulgarmente conhecida por bochecha, no lado esquerdo da face, transfixando a boca e alojando-se na parte inferior direita do pescoço. Depois, a queima roupa, com a vítima caída ao solo, decúbito ventral, João Edizon efetuou mais três disparos, que acertaram a nuca e acomodaram-se no interior da cabeça. A proximidade dos orifícios revelou estrema frieza e habilidade com armas de João Edizon. O denunciado "Teixeira" assistiu à execução insensivelmente.
Em seguida, "Teixeira" e João Edizon arrastaram a vítima para um matagal adjacente à rodovia, até uns 08 metros do seu leito, onde deixaram-na de bruço. O corpo de Jairo Granzotto foi encontrado na manhã do dia seguinte.
Os denunciados "Teixeira" e João Edizon, posteriormente, receberam a recompensa prometida.
Com informações de Ricardo Silva – Campos Novos
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