Mulher que se passou por adolescente em SC será submetida a exame psiquiátrico
Presa por falsa identidade e estelionato, investigada aguarda avaliação determinada pela Justiça.
A mulher de 37 anos presa após fingir ser uma adolescente de 12 anos em Joinville passará por uma avaliação psiquiátrica nesta sexta-feira (26), em Florianópolis. Amanda Maria Souza de Oliveira está detida desde o início deste mês, quando a Polícia Civil descobriu que ela utilizava uma identidade falsa para se apresentar como uma menina e conviver com uma família da cidade.
O exame será realizado pelo Departamento Médico Legal da capital catarinense por determinação da Justiça. Atualmente, Amanda é representada pelos advogados Lucio Sousa e Sarita Henrique de Paiva, após substituir a defesa que vinha sendo realizada pela Defensoria Pública.
Segundo a defesa, ainda não existe uma data definida para a divulgação do laudo, mas a expectativa é de que o resultado seja concluído ao longo do mês de julho.
Antes da nova avaliação em Santa Catarina, Amanda já havia sido submetida a atendimentos psiquiátricos no Rio Grande do Sul. Conforme informações divulgadas anteriormente, ela recebeu diagnósticos relacionados a transtorno factício, pseudologia fantástica e transtorno de personalidade borderline.
Documentos do Ministério Público do Rio Grande do Sul apontam que a investigada teria apresentado comportamento considerado manipulador, passando por diversas instituições de acolhimento e mobilizando órgãos públicos, como serviços de assistência social, saúde, forças policiais e promotorias.
Especialistas explicam que o transtorno factício está associado à criação ou simulação de sintomas físicos e psicológicos, geralmente com o objetivo de assumir o papel de alguém em situação de fragilidade ou necessidade de cuidados. Já a pseudologia fantástica é caracterizada pela elaboração recorrente de histórias falsas apresentadas como verdadeiras.
O caso ganhou repercussão após a descoberta de que Amanda vivia há cerca de 14 meses com uma família de Joinville. Conforme a investigação, ela teria conhecido os moradores por meio de uma igreja no distrito de Pirabeiraba, onde relatou uma suposta história de maus-tratos e exploração, afirmando ter fugido de casa.
Comovidos com o relato, os integrantes da família decidiram acolhê-la. Durante todo o período, ela utilizou o nome falso de “Gabriele” e evitava qualquer iniciativa que pudesse revelar sua verdadeira identidade.
De acordo com o delegado Rodrigo Bueno Gusso, responsável pela investigação, a falsa adolescente rejeitava propostas de matrícula escolar e apresentava justificativas para impedir qualquer procedimento formal de adoção ou regularização documental. A investigação também aponta que ela demonstrava nervosismo sempre que surgia a possibilidade de verificação de seus dados pessoais.
A convivência foi tão próxima que a família chegou a organizar uma festa para celebrar o suposto aniversário de 12 anos da jovem.
Amanda responde pelos crimes de falsa identidade e estelionato. O resultado da avaliação psiquiátrica deverá integrar o processo judicial que apura o caso.
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