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Brasil e Mundo

Novo tarifaço dos EUA em produtos do Brasil pode ter ligação com o Pix

Governo norte-americano cita sistema de pagamentos criado pelo Banco Central como exemplo de prática comercial considerada “irrazoável”

Luan

Luan

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O sistema de pagamentos instantâneos Pix passou a figurar entre os principais pontos de uma investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos contra o Brasil. O tema aparece diversas vezes em um relatório elaborado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que propõe a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.

Conforme o portal Uol, o documento, com mais de 100 páginas, foi divulgado após uma investigação iniciada em julho de 2025 para avaliar práticas comerciais adotadas pelo Brasil. Entre os argumentos apresentados pelo governo americano estão supostas distorções de mercado, barreiras comerciais e favorecimento a sistemas nacionais em detrimento de empresas estrangeiras.

Nesse contexto, o Pix é citado repetidamente como um exemplo de política que, na avaliação do USTR, prejudicaria companhias americanas que atuam no setor de pagamentos eletrônicos.

Segundo o relatório, o principal questionamento envolve o papel desempenhado pelo Banco Central do Brasil. Para os Estados Unidos, a instituição atua simultaneamente como reguladora do mercado de pagamentos e também como proprietária e operadora do Pix, situação considerada inadequada pelos autores da investigação.

O governo americano sustenta ainda que determinadas regras do sistema financeiro brasileiro favoreceriam o Pix em relação a outros meios de pagamento oferecidos por empresas privadas, incluindo companhias estrangeiras. O documento afirma que o modelo brasileiro cria vantagens regulatórias para o sistema nacional e limita estratégias comerciais de concorrentes internacionais.

Em um dos trechos do relatório, o USTR argumenta que instituições financeiras e empresas que atuam no setor acabam sendo obrigadas a promover e integrar o Pix em suas operações sem qualquer tipo de compensação, fortalecendo um sistema controlado pelo governo brasileiro.

Criado pelo Banco Central em 2020, o Pix se tornou o principal meio de pagamento utilizado pelos brasileiros. Dados mais recentes da autoridade monetária mostram que a ferramenta respondeu por 54,7% de todas as transações realizadas no segundo semestre de 2025, somando aproximadamente 42,9 bilhões de operações no período.

Em comparação, os pagamentos realizados por cartões de crédito, débito e pré-pagos representaram cerca de 30,4% das transações efetuadas no país.

Além das críticas relacionadas ao sistema financeiro, o relatório americano também menciona outros temas considerados sensíveis pelo governo dos Estados Unidos, incluindo decisões envolvendo plataformas digitais e remoção de conteúdos em redes sociais.

A proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros ainda está em fase de consulta pública e faz parte de um pacote de possíveis medidas corretivas sugeridas pelo USTR. O governo norte-americano deverá analisar manifestações de empresas, entidades e representantes dos setores envolvidos antes de definir os próximos passos.

Caso a taxação seja implementada, diversos segmentos exportadores brasileiros poderão ser afetados, ampliando as tensões comerciais entre os dois países. O debate também deve reacender discussões sobre o papel do Pix no mercado financeiro e sua influência na concorrência internacional dos serviços de pagamento eletrônico.


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